Sônia, Tamirys e Felipe estudam na mesma faculdade e só voltam para casa juntos. Mesmo que a aula de um deles termine duas horas antes que as dos outros. Isso porque Sônia Vigo, de 46 anos, aluna do curso de marketing, é mãe de Tamirys, 18, e de Felipe, 27, e faz questão de aproveitar o trajeto da volta para conversar com os filhos. Com a rotina pesada de trabalho o dia todo e os estudos à noite, Sônia só conseguiria ter tempo de conviver com os jovens se estudassem juntos durante a semana.
Ela foi a primeira dos três a entrar na Faculdade Veris. E “impôs” – como diz Felipe – que os filhos também se matriculassem na instituição. Felipe entrou no curso de tecnólogo em redes; já a irmã estuda no mesmo curso de Sônia. Nenhum dos irmãos se incomodou com a possibilidade de estudar sob o olhar vigilante da mãe. Ao contrário, eles até valorizam a proximidade que passaram a ter com ela.
Sônia faz parte uma nova estatística: a da quantidade de pessoas acima dos 35 anos que estuda em universidades. De acordo com o Censo de Educação Superior do MEC (Ministério da Educação), em 2008, cerca de 10% dos novos universitários estavam nessa faixa etária. O número de alunos na faixa dos 35 a 49 anos saltou de 106 mil, em 2000, para 175 mil no ano retrasado.
Muitas mulheres têm esperado os filhos crescerem para realizar o sonho de fazer curso superior ou mesmo retomar os estudos. Sônia conta que esperou quase trinta anos para poder entrar em uma universidade.
- Foi a solução que encontrei, porque sempre trabalhei o dia todo como vendedora, e se estudasse seria difícil acompanhar meus filhos na infância e na adolescência.
Nova rotina
Solange Gomes, de 41 anos, é mãe de Janaina, 21. Em casa, os assuntos das conversas entre as duas vão muito além de questões do cotidiano. São frequentes os papos sobre direito trabalhista, clima organizacional e outros temas administrativos. Solange está no último semestre de gestão de recursos humanos e Janaina está no segundo semestre do curso de administração. As duas estudam na Unicid (Universidade Cidade de São Paulo).
Mãe e filha, colegas de universidade, amigas. Solange e Janaina estão sempre por perto uma da outra. Nem sempre a rotina permite que estudem juntas, mas, quando podem, tiram dúvidas, trocam indicações de livros e se incentivam a estudar.
Solange conta que ver a filha se dedicando à universidade foi seu maior estímulo para voltar a estudar, depois de 30 anos fora da sala de aula. Janaina acha que a mãe é inteligente “e até mais dedicada do eu”. A mãe sempre levou a educação muito a sério e cabular aulas, por exemplo, está fora de cogitação. Como mãe e filha estudam juntas, o controle acaba sendo bem maior.
- A minha mãe não deixa que eu falte e sabe tudo o que se passa na faculdade. Ela sabe quem são meus professores, quais disciplinas são mais complicadas que outras. Até a senha para acessar minhas notas pela internet ela tem. Mas não vejo problema, a gente tem que ser amigas também, não só mãe e filha.
As “mãezonas” da turma
As mulheres mais velhas em uma sala de aula de graduação acabam se tornando a referência adulta, conta Cecília Cardoso da Silva, de 46 anos. Ela é mãe de Luisa, 20, e fez o mesmo curso que a filha na Uninove (Universidade Nove de Julho) – jornalismo. Cecília se formou no ano passado e Luisa está no quinto semestre.
Cecília ficou mais de 20 anos longe de uma universidade (ela fez publicidade e propaganda em 1985). Ela voltou com vontade de estudar. Mas o jeito de pensar, muitas vezes, acaba sendo diferente da turma:
- Os alunos mais novos conversavam, dormiam, ficavam no entra-e-sai da sala... E eu ficava um pouco triste com isso, porque não estavam aproveitando o curso. Eles sempre me perguntavam sobre a aula e eu me sentia na responsabilidade de dar o exemplo.
Quando a turma toda ia para um barzinho ou festa, Cecília evitava participar, porque não faz seu estilo. O mesmo acontece com Solange, na Unicid, que mal sai da sala durante os intervalos para não perder nenhum tempo de aula. Já Sônia, estudante e mãe de dois alunos na Veris, conta que gosta de participar de algumas das festas e encontros para descontrair, mas sabe respeitar o espaço dos filhos.
Todas as mães estudantes têm boas relações com os mais novos da turma, mas, de certa forma, o papel de “mãe” está sempre presente - são quase "mãezonas" da garotada.
Sônia, Tamirys e Felipe estudam na mesma faculdade e só voltam para casa juntos. Mesmo que a aula de um deles termine duas horas antes que as dos outros. Isso porque Sônia Vigo, de 46 anos, aluna do curso de marketing, é mãe de Tamirys, 18, e de Felipe, 27, e faz questão de aproveitar o trajeto da volta para conversar com os filhos. Com a rotina pesada de trabalho o dia todo e os estudos à noite, Sônia só conseguiria ter tempo de conviver com os jovens se estudassem juntos durante a semana.
Ela foi a primeira dos três a entrar na Faculdade Veris. E “impôs” – como diz Felipe – que os filhos também se matriculassem na instituição. Felipe entrou no curso de tecnólogo em redes; já a irmã estuda no mesmo curso de Sônia. Nenhum dos irmãos se incomodou com a possibilidade de estudar sob o olhar vigilante da mãe. Ao contrário, eles até valorizam a proximidade que passaram a ter com ela.
Sônia faz parte uma nova estatística: a da quantidade de pessoas acima dos 35 anos que estuda em universidades. De acordo com o Censo de Educação Superior do MEC (Ministério da Educação), em 2008, cerca de 10% dos novos universitários estavam nessa faixa etária. O número de alunos na faixa dos 35 a 49 anos saltou de 106 mil, em 2000, para 175 mil no ano retrasado.
Muitas mulheres têm esperado os filhos crescerem para realizar o sonho de fazer curso superior ou mesmo retomar os estudos. Sônia conta que esperou quase trinta anos para poder entrar em uma universidade.
- Foi a solução que encontrei, porque sempre trabalhei o dia todo como vendedora, e se estudasse seria difícil acompanhar meus filhos na infância e na adolescência.
Sônia (à direita) estuda com os filhos Tamirys e Felipe (Foto: Divulgação)