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publicado em 22/03/2010 às 06h00:

Templo de banheiro no Japão salva casamentos

Vasos sanitários são usados para descarregar os problemas privados

Do R7

Chega de resolver discussões conjugais no terapeuta de casais. Em cidades de Gunma, Província da região central do Japão, a solução para as crises matrimoniais é mais rápida e prática. Basta dar uma passada no banheiro e deixar algum objeto que você considera símbolo das brigas. Pode ser uma cueca, uma camisinha, uma dentadura, uma escova de dentes - só não vale levar bichos de estimação. Não é um toalete qualquer, claro. Só os que ficam nos templos Mantokuji oferecem essa saída limpa e cheirosa.

Casais japoneses têm feito esse caminho para afastar os espíritos ruins que rondam as uniões. Reúnem-se para conversar. Depois, cada um – é preciso privacidade, afinal - vai até o banheiro sagrado e deposita ao lado do vaso a sua peça da discórdia. Por fim, dá a descarga. Esse ritual torna o casamento mais arejado, acreditam.

Pode ser melhor que divórcio. O diretor do templo Tadashi Takagi explica:

- Maridos e mulheres se dedicam a alguns momentos solitários de paz no banheiro sagrado. E saem de lá mais felizes.

Pode-se também anotar pensamentos e problemas em um pedaço de papel e deixar em um dos  sanitários santos de Mantojuki.

Há quem queira ir até lá para acabar de vez com o casamento, mas sem brigas homicidas. Para esses casos, o diretor indica outro tipo de toalete: o branco, chamado "enkiri" – que corta laços. Nesse local, é preciso levar o nome do parceiro ou da parceira num pedaço de papel e depositar num local acima do vaso. Para os japoneses, isso é tiro e queda. O matrimônio termina ao final da descarga.

O banheiro escuro, mais comum, atende casais que desejam "enmusubi" (estreitar os laços). Nesse ambiente, pode-se lavar a roupa suja de outra forma – fazendo uma lista dos problemas mais comuns e atirando na privada.

A única regra do templo é não usar o toalete de maneira convencional – não pode nem fazer o número um nem o dois. Se insistir, esse ato poderá resultar numa besteira bem suja. Uma maldição, contam, cairá sobre a pessoa. Ela não vai conseguir dividir o vaso sanitário com o ser amado nunca mais, nem nessa nem na próxima existência.

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