Internacional

28/12/2012 às 00h08 (Atualizado em 28/12/2012 às 06h37)

Índia publicará nomes, fotos e endereços de estupradores na internet

Governo promete ainda endurecer as leis contra o estupro, crime que atualmente tem pena máxima prevista de dez anos de prisão

BBC Brasil

Violência contra estudante acarretou protestos por todo o país Sajjad Hussain/AFP

O governo indiano deve passar a publicar nomes, fotos e endereços de homens condenados por estupro para envergonhá-los publicamente em uma nova campanha para tentar conter esse tipo de crime, informou o vice-ministro do Interior indiano, Ratanjit Pratap Narain Singh.

O anúncio chega 11 dias após o estupro coletivo de uma estudante de 23 anos dentro de um ônibus em Nova Déli, conhecida como 'capital do estupro'.

A jovem foi violentada durante uma hora por diversos homens e depois ela e um amigo foram espancados com barras de ferro e expulsos do ônibus nus.

Depois de declarar que as mulheres estavam sendo tratadas de forma injusta na Índia, o primeiro-ministro Manmohan Singh explicou:

— Nós estamos planejando começar [a campanha] em Déli. Fotografias, nomes e endereços dos estupradores serão divulgados no site da polícia de Déli. Estamos firmes na intenção de lidar com o problema e tomar todas as ações possíveis o quanto antes.

Médicos de Cingapura lutam pela vida de indiana vítima de estupro coletivo

Singh disse que o Departamento Nacional de Registros Criminais recebeu a ordem de preparar uma lista contendo todos os dados pessoais de estupradores condenados para que também seja divulgada em seu site oficial.

O governo também prometeu endurecer as leis contra o estupro, crime que atualmente tem pena máxima prevista de dez anos de prisão no país.

Os anúncios chegaram em meio à retomada dos protestos na capital indiana. Muitos dos manifestantes passaram a exigir a renúncia do chefe de polícia de Déli, Neeraj Kumar.

Na quarta-feira, o ministro das Finanças indiano, P Chidambaram, anunciou que o juiz aposentado Usha Mehra deverá 'identificar as falhas' das autoridades e 'determinar as responsabilidades'.

Até o momento seis pessoas já foram presas, incluindo o motorista do ônibus em que o crime ocorreu.

Confrontos durante as manifestações deixaram ao menos um policial foi morto e mais de cem pessoas ficaram feridas.

Transferência

A jovem estudante vítima do estupro que serviu com estopim para a crise no país foi transferida para a Cingapura, onde receberá tratamento e possivelmente passará por transplantes de órgãos.

Após dez dias de internação na capital da Índia, quando passou por três cirurgias, a garota se dirigiu para um hospital especializado do país do sudeste asiático.

Morre policial indiano ferido em manifestação contra estupro de estudante

Internada há oito dias, jovem estuprada por gangue continua em estado grave

Segundo o médico indiano B.D. Athani, ela será tratada no hospital Mount Elizabeth, que possui 'instalações para transplantes múltiplos de última geração.

A jovem, que foi estuprada no último dia 16 de dezembro, permanece respirando sob ajuda de aparelhos e é considerada uma paciente em estado grave. Athani disse que entre os principais problemas que ela enfrenta estão ferimentos muito graves nos intestinos.

O médico acrescentou que a família da estudante a acompanha rumo à Cingapura, já que o tratamento pode ser longo.

De acordo com o governo, os objetivos do inquérito serão 'identificar as falhas, se houver, da parte da polícia, ou autoridade ou indivíduo que tenham contribuído para a ocorrência, e determinar responsabilidades por essas falhas ou atos de negligência'.

Até agora somente dois policiais foram suspensos em meio aos reflexos do caso.

Impunidade

Somente neste ano, mais de 630 casos de estupro já foram registrados em Nova Déli, conhecida no país como 'capital do estupro'.

De tempos em tempos, casos como este mobilizam a opinião pública e ganham espaço em programas de TV, jornais, revistas, além de virarem tema de protestos e discursos de políticos. Mas pouco depois o nível de atenção é reduzido e o ciclo de violência e impunidade continua, dizem analistas.

E um sistema judiciário ineficiente aliado a uma polícia conivente e negligente não parecem ajudar as vítimas, avaliam analistas.

Leia mais notícias de Internacional no R7

O correspondente da BBC na capital indiana, Soutikl Biswas, avalia do ponto de vista cultural:

— A violência e os abusos de mulheres são grandes problemas em Déli e no norte da Índia. Uma mentalidade fortemente patriarcal, uma cultura de impunidade entre o poder, um desdém generalizado pela lei, uma força policial em grande parte insensível e uma crescente população de imigrantes sem raízes e ilegais são alguns dos fatores desde cenário. Mas deve haver muitos outros. Se você for mulher, a não ser que seja muito rica e privilegiada, há mais chances de enfrentar humilhação e indignidade aqui.

  • Espalhe por aí:

Veja também

Todas as notícias
Publicidade

Vitrine de ofertas

Compartilhe
Onde o terror acontece

Cinco países são responsáveis pela maioria dos mortos pelo terrorismo

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Meio ambiente

Mudanças climáticas podem aumentar o risco de uma nova guerra mundial?

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Perturbador

Crimes brutais chocaram o mundo em 2013. Veja os casos mais macabros

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Imagens do ano

Entre sorrisos e lágrimas: veja as imagens mais emocionantes de 2013

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
  • Últimas de Internacional

  • Últimas de Notícias

X
Enviar por e-mail
(todos os campos marcados com * são obrigatórios)
Preencha os campos corretamente.
Mensagem enviada com sucesso!