Internacional

10/4/2013 às 01h39 (Atualizado em 10/4/2013 às 08h55)

"A possibilidade de conflito não pode ser descartada", diz embaixador da Coreia do Sul no Brasil

Para representante do país, Coreia do Norte é imprevisível

Marina Marquez, do R7, em Brasília

Em Paju, cidade sul-coreana, turistas usam binóculos para observar o complexo industrial de Kaesong, localizado do outro lado da fronteira 09.04.2013/Won Dae-Yeon/Dong-A Ilbo/AFP

O embaixador da Coreia do Sul no Brasil, Koo Bon-woo, acredita que um conflito armado na península coreana não pode ser descartado. A tensão entre as duas Coreias tem aumentado desde o início de fevereiro, quando o Norte realizou o terceiro e mais forte teste nuclear de sua história. Em entrevista ao R7, Bon-woo disse que a Coreia do Norte é "imprevisível" e que o seu país tem se esforçado para "manter a paz e a estabilidade" na região.

— Existe a possibilidade de estourar uma guerra. As recentes atividades bélicas da Coreia do Norte têm aumentado as tensões na península coreana. Muitos especialistas acreditam que a possibilidade de um conflito armado é baixa. No entanto, a Coreia do Norte é muito imprevisível, a possibilidade de um conflito não pode ser descartada.

Os dois países estão teoricamente em conflito desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), já que um tratado de paz nunca foi assinado entre as duas partes, apenas um armistício de não agressão.

A situação na península começou a se agravar em 2006, quando o Norte realizou seu primeiro teste nuclear. De lá para cá foram mais dois exercícios militares desse tipo — o último deles e mais forte em 12 de fevereiro passado.

Após o teste, o Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções econômicas contra a Coreia do Norte, que respondeu levantando o acordo de não agressão e anunciando o estado de guerra. As medidas levaram a uma escalada militar na região.

EUA: Coreia do Norte está pronta para lançar míssil "a qualquer momento"

O embaixador sul-coreano comentou o último incidente armado entre as duas partes, ocorrido em novembro de 2010, quando a Coreia do Norte bombardeou a ilha sul-coreana de Yeonpyeong e matou dois soldados e dois civis. O ataque rendeu críticas à Coreia do Sul, por não ter respondido à agressão. Em março do mesmo ano, Seul acusou Pyongyang de torpedear um navio militar seu, matando 46 marinheiros.

Segundo Bon-woo, o país tem feito de tudo para manter a paz e a estabilidade na região e, por esses princípios, não respondeu de forma mais agressiva ao ataque à ilha.

— Naquela época, a Coreia do Sul tinha capacidade para tomar todas as medidas em resposta à Coreia do Norte, mas, considerando a paz e a estabilidade na península, não atacamos com golpe sério.

Conheça os problemas que a Coreia do Norte tenta esconder com as ameaças de guerra

Coreia do Norte usa ameaças para reduzir miséria do povo

Bon-woo não respondeu se um ataque sul-coreano na ocasião frearia as atuais investidas militares do Norte. No entanto, o embaixador lembrou que, desde o fim da Guerra da Coreia, o país vizinho “continuamente faz provocações”.

— Os norte-coreanos deveriam parar de elevar a tensão e se concentrar em suas obrigações internacionais.

O embaixador cita as várias sanções internacionais impostas ao país pela ONU (Organização das Nações Unidas) desde o teste nuclear de 2006 e diz que espera por paz.

— A manutenção da paz na península coreana é vital para trazer paz e segurança para o nordeste da Ásia e para o mundo como um todo. Portanto, a Coreia do Sul tem consultado, coordenado e cooperado com os países vizinhos, incluindo os Estados Unidos, a fim de manter a paz na península.

Unificação

O embaixador sul-coreano disse ainda que a divisão das Coreias, definida ao fim da 2ª Guerra Mundial, causou "muita dor com a separação de famílias no Sul e no Norte".

— A reunificação é um sonho antigo e desejado com carinho pelo povo coreano.

Diferentemente da Coreia do Norte, que tem investido em armamento nuclear, Boo-Won diz que seu país não tem intenção de desenvolver armas nucleares e defende o fim da corrida armamentista pelo país vizinho.

— É um princípio fundamental da Coreia do Sul que a península coreana seja desnuclearizada e que a Coreia do Norte desista das ambições nucleares.

A reportagem do R7 procurou também a Embaixada da Coreia do Norte no Brasil, mas, apesar de tentativas por telefone e de uma visita à representação diplomática, não conseguiu marcar uma entrevista com o embaixador.

O que acontece no mundo passa por aqui

Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia

  • Espalhe por aí:

Veja também

Todas as notícias
Publicidade
Compartilhe
Homem das cavernas

Iraniano não toma banho há 60 anos e usa pedaço de cano como cachimbo

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Imagens do ano

Entre sorrisos e lágrimas: veja as imagens mais emocionantes de 2013

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Desumano

Menino de 11 anos vive acorrentado como cachorro pela família na China

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Perturbador

Crimes brutais chocaram o mundo em 2013. Veja os casos mais macabros

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
  • Últimas de Internacional

  • Últimas de Notícias

X
Enviar por e-mail
(todos os campos marcados com * são obrigatórios)
Preencha os campos corretamente.
Mensagem enviada com sucesso!