Internacional

22/12/2012 às 08h14 (Atualizado em 22/12/2012 às 10h13)

Análise: Kerry já estava pronto para ser Secretário de Estado há quatro anos

Kerry terá a difícil missão de substituir Hillary Clinton no cargo

BBC Brasil

Obama anunciou ontem Kerry como o chefe da diplomacia americana MANDEL NGAN / AFP

John Kerry estava há anos pronto para assumir o cargo de secretário de Estado, muito antes de ser indicado pelo presidente Barack Obama. O senador foi confirmado no cargo na sexta-feira (21), quando Obama anunciou a mudança no ministério de seu segundo mandato como presidente.

Kerry esperava ser convidado para o cargo já em 2009. Mas Obama deu preferência à Hillary Clinton, e Kerry acabou se tornando uma espécie de 'soldado' de Obama no Senado, onde tentou da melhor forma possível defender a agenda do presidente democrata.

O senador de Massachusetts lidera desde 2009 a Comissão de Assuntos Externos do Senado. Ele é bem informado sobre assuntos internacionais e diplomacia, tanto por sua experiência na Comissão como por missões ao exterior.

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Kerry chega ao cargo já tendo estabelecido relações pessoais importantes com líderes mundiais, como o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

O novo secretário de Estado precisará de pouco tempo para se adaptar ao cargo, e sua confirmação no Congresso deve acontecer rapidamente.

Opiniões

Nos últimos quatro anos, Kerry também serviu de enviado especial a diversos países.

Em 2009, ele foi à Cabul para convencer Karzai a aceitar o segundo turno da eleição presidencial. Ele viajou diversas vezes ao Paquistão, inclusive no ano passado, para lidar com a revolta no país com a ação americana que matou Osama Bin Laden.

Visto como um estrategista, Kerry também é bastante silencioso sobre suas opiniões, o que pode ser um benefício importante para um secretário de Estado que terá que tentar negociar processos de paz.

Ainda não está claro o quanto Obama tentará interferir no processo de paz do Oriente Médio, depois de tentativas fracassadas em seu primeiro mandato.

Apesar de seus esforços para reiniciar as negociações de paz, Hillary Clinton sempre buscou um certo distanciamento em relação ao assunto — que já prejudicou a reputação de tantos presidentes e secretários de Estado.

Outros dois assuntos que pesarão na agenda de Kerry é a violência na Síria e o programa nuclear iraniano. O senador tentou dialogar com o governo sírio já em 2009. Na ocasião, ele falou diversas vezes sobre a relação próxima que havia construído com o presidente sírio, Bashar al Assad.

Mas Kerry foi criticado nos Estados Unidos por ser ingênuo demais em relação à Síria, quando continuou falando positivamente de Assad mesmo depois do início da violência no país. Mesmo diante da escalada do conflito, Kerry ainda defendia a capacidade de Assad de liderar uma reforma na Síria.

Agora o próprio Kerry diz que a falta de ação americana contra a Síria teve um custo alto demais.

Legado de Hillary

Mesmo qualificado para o cargo há anos, ainda assim Kerry não foi a primeira opção de Obama. A principal candidata para suceder Hillary era Susan Rice, a embaixadora americana na ONU.

No entanto, a reputação de Rice ficou prejudicada por suas declarações dadas após o ataque à representação americana em Benghazi, na Líbia, que matou o embaixador Chris Stevens.

Na ocasião, ela havia creditado o atentado a manifestações contra um filme produzido na Califórnia que tratava o profeta Maomé de forma desrespeitosa.

Pouco depois, o governo americano disse que o ataque à embaixada foi um atentado premeditado por grupos terroristas.

Rice pediu na semana passada que não fosse considerada para o cargo de secretária de Estado, já que o episódio em Benghazi, segundo ela, provocaria uma distração muito grande.

A indicação de Kerry teve reações positivas de diversos políticos americanos, inclusive de republicanos que não queriam Rice no cargo.

Pessoas próximas a Kerry dizem que o novo secretário de Estado provavelmente seguirá com seu comportamento de 'bom soldado' na gestão Obama, mas que ele também é conhecido por não ter medo de dar sua opinião sobre os fatos.

Kerry e Obama se conhecem desde 2004, quando o senador concorreu à Casa Branca, mas acabou derrotado por George W. Bush. Na ocasião, Kerry convidou Obama para o discurso principal da convenção democrata — o que deu grande visibilidade ao político que acabou se tornando presidente quatro anos depois.

Neste ano, foi a vez de Kerry discursar em favor de Obama na convenção do partido democrata.

"Pergunte a Osama Bin Laden se ele está melhor hoje do que há quatro anos", disse Kerry em seu discurso, que atacava o candidato republicano Mitt Romney.

Kerry é visto como o típico diplomata americano. Seu pai trabalhou na diplomacia. O político fala francês e já morou no exterior.

Ele terá pela frente a difícil tarefa de substituir Hillary Clinton, que é adorada por muitos líderes mundiais que chegaram a pedir para que ela ficasse no cargo. Para muitos analistas, Hillary ajudou a restaurar um pouco do prestígio americano no cenário internacional.

O próprio presidente Barack Obama pediu que ela ficasse no cargo, mas ela recusou.

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