Ataque em Paris pode mudar rumo das eleições francesas

Especialistas afirmaram que a tendência é a direita se fortalecer na disputa de domingo (23)

Eugenio Goussinsky, do R7

Ataque trouxe novamente o clima de insegurança ao país Reuters

Paris continua respirando cultura, mas a sensação de liberdade, em cada leitura pelos parques, em cada conversa nos cafés na calçada, nos tradicionais boulevares e suas vitrines suntuosas, tem se revezado com um medo medieval. E o último ataque terrorista na capital francesa, que causou na quinta-feira (20) a morte de um policial e deixou outros dois feridos na avenida Champs-Elysées, reacendeu na Cidade Luz um clima de insegurança que pode modificar o rumo das eleições presidenciais do próximo domingo (23).

Na opinião do professor José Niemeyer, coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec (RJ), apesar de ter sido um ato muito grave, mas de menor dimensão, em relação aos atentados de janeiro e de novembro de 2015, o ataque trouxe de volta um clima de insegurança e, como visto em outras ocasiões na Europa, pode mudar a história. Pode ser, por exemplo, um estopim para a chegada da extrema-direita no comando do país, com uma vitória da candidata Marine Le Pen, segundo ele.

— Um tiroteio hoje em Paris, no ambiente que estamos de muita indefinição, pode mexer no resultado da eleição. Eventos específicos têm um caráter sistêmico em muitas ocasiões. Com o atentado os candidatos de esquerda ficam com menos chance, os da direita vão acirrar o discurso da segurança pública, do combate aos imigrantes, da saída da União Europeia, como já colocou a candidata Le Pen.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, Christian Lohbauer, concorda que o ataque pode ter um efeito na votação e favorecer a direita, já que, conforme ele lembrou, esses atentados são cometidos por extremistas de origem islâmica ou imigrantes alinhados ao radicalismo, como ocorreu recentemente em Bruxelas, Berlim, São Petesburgo e Londres, entre outras cidades. E para eles, seria até melhor que a direita, com uma mensagem contrária aos excluídos, saísse vitoriosa, na opinião do especialista.

— O terrorista sabe que não tem condição de derrubar o poder constituído, isso o diferencia de guerrilha e do conflito civil. Sem condições de ocupar o poder pela força, o terrorismo cria o ambiente de terror. Esse é o objetivo, e se o adversário for mais agressivo contra eles é melhor porque criaria um ambiente propício para um conflito civil. O terrorismo acirra e polariza e a polarização é o precedente do conflito.

Tiroteio deixa um policial morto e fecha Champs-Elysées em Paris

O presidente François Hollande já disse estar convicto de este foi mais um ato terrorista, inclusive reivindicado pelo Estado Isâmico. Hollande declarou que as forças de segurança estarão atentas para garantir a normalidade das eleições.

Em pesquisa do instituto Elabe divulgada nesta segunda-feira (17), quatro candidatos estavam em situação de equilíbrio, podendo chegar ao segundo turno: Emmanuel Macron, independente do Em Marcha!, com 24%; Marine Le Pen, ultranacionalista da Frente Nacional com 23%; François Fillon, conservador d’Os Republicanos, com 19,5% e Jean-Luc Mélenchon, esquerdista do movimento França Insubmissa, com 18%.

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