Internacional

6/4/2013 às 00h20 (Atualizado em 6/4/2013 às 15h49)

Brasil quer Coreia do Norte “menos acuada”, diz Itamaraty

Para governo, Pyongyang precisa se sentir menos isolada para contribuir com processo de paz

Marina Marquez, do R7, em Brasília*

O U.S. Army Patriot, bateria antiaérea dos Estados Unidos, é visto ontem na base de Osan, ao sul de Seul, na Coreia do Sul: manobras militares isolam ainda mais Pyongyang 05.04.2013//Lee Jae-Won/Reuters

Um dos poucos Países a instalar uma embaixada na Coreia do Norte, o Brasil está preocupado com a atual crise militar na península coreana. A tensão na Ásia está prejudicando os esforços brasileiros dos últimos três anos, de criar um diálogo entre o país comunista e a comunidade internacional em busca da paz definitiva na região. Segundo o governo, no cenário atual, é importante Pyongyang se sentir "menos acuada".

A política externa do governo Dilma Rousseff é criticada por analistas em segurança internacional devido a sua tendência de "neutralidade" e “timidez” diante dos grandes conflitos mundiais. Essa postura, segundo os especialistas, tem o mérito de levar uma mensagem de paz, mas também teria o objetivo de não criar animosidades entre o País e a comunidade internacional.

Apesar das críticas, o Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty) informou ao R7 que o Brasil tem mostrado sim sua intenção de ajudar na resolução dos conflitos. Um exemplo disso seria a criação da Embaixada brasileira em Pyongyang, em 2009.

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Um dos objetivos dessa delegação seria justamente o de mudar o cenário de total isolamento de Pyongyang, condição que fica cada vez mais evidente na atual crise militar.

— O Brasil acredita que o encaminhamento da questão nuclear da península coreana será favorecido caso a RPCD [Coreia do Norte] estreite seus canais de diálogo com a comunidade internacional. Sentindo-se menos acuada, a Coreia do Norte poderá ser um interlocutor mais previsível e, a longo prazo, interativo com a comunidade internacional.

Segundo o Itamaraty, criar um canal direto de comunicação com as autoridades norte-coreanas "é um demonstrativo do interesse que temos em contribuir para a paz na região".

No entanto, como diz a nota, um diálogo duradouro depende de o país comunista se sentir “menos acuado”.

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A embaixada brasileira é uma das poucas missões diplomáticas estrangeiras credenciadas pelo regime norte-coreano. Além dela, funcionam representações da Rússia, China, Cuba, Suécia, Polônia, República Tcheca, Romênia, Índia, Paquistão, Síria, Egito, Vietnã, Palestina, entre outras.

A delegação brasileira em Pyongyang foi aberta em 2009 sob a chefia do embaixador Arnaldo Carrilho. Em entrevista à agência de notícias Reuters em 2010, Carrilho confirmou que o objetivo central do Brasil era "a abertura de diálogo em todos os sentidos, inclusive no que se refira à questão nuclear e ao estágio permanente de guerra do Exército Popular."

O Brasil se posicionou sobre a recente escalada militar no último dia 31 de março, juntamente com a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), com um apelo urgente às partes envolvidas.

Em nota oficial, lembrou "a obrigação internacional dos Estados de se absterem da ameaça e do uso da força" e pediu que as Coreias abandonem atitudes e manifestações bélicas.

— Os países da Unasul demandam também o pleno cumprimento das resoluções pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, conclamam à retomada das negociações de paz e expressam sua disposição de contribuir para os esforços internacionais nesse sentido.

Mas as rotineiras manobras militares de Estados Unidos e Coreia do Sul na região, aliadas à retórica agressiva de Pyongyang, isolam ainda mais o país comunista da comunidade internacional. Diante desse cenário, as ambições brasileiras na península coreana continuarão sendo um sonho distante.

Retirada do corpo diplomático da Coreia do Norte

Nesta sexta-feira (5), a Coreia do Norte notificou todas as representações diplomáticas a deixar o país diante do risco de uma guerra na região. Diante disso, o governo brasileiro avalia a situação na península coreana para decidir sobre a transferência de seus funcionários da embaixada em Pyongyang.

O pedido norte-coreano foi feito em meio à movimentação militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, após a Coreia do Norte advertir que a guerra era inevitável, em decorrência de novas sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) por seus testes nucleares.

"Avaliaremos quais são as condições exatamente antes de tomarmos uma decisão sobre a permanência dele [embaixador brasileiro, Roberto Colin] ou a alguma outra alternativa, em contato também com outras embaixadas em Pyongyang", afirmou ontem o chanceler Antonio Patriota em entrevista coletiva em Brasília.

O Itamaraty afirmou que seis brasileiros vivem atualmente na Coreia do Norte, incluindo o embaixador, sua mulher e filho, um funcionário administrativo, além da mulher e filha do embaixador da Palestina, que são brasileiras.

— Seguimos com preocupação essa escalada retórica na península coreana e estamos em permanente contato com o nosso embaixador.

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Nos termos da Convenção de Viena, que rege as missões diplomáticas, os governos anfitriões devem facilitar a saída do pessoal de embaixadas em caso de conflito.

Transferir os funcionários não implica o fechamento da embaixada, esclareceu o Itamaraty, o que teria um significado político e diplomático mais amplo.

"Nesse caso a gente pode considerar a preservação da segurança dos funcionários levando-os para outro lugar. Não é o rompimento das relações diplomáticas Brasil-Coreia do Norte", disse a assessoria de imprensa do Itamaraty.

De acordo com a assessoria, o embaixador brasileiro teria indicado que existe a possibilidade de levar o corpo diplomático para Dandong, uma cidade chinesa próxima, na fronteira com a Coreia do Norte.

Além da possibilidade de retirada para a vizinha China, a assessoria afirmou ainda que a Embaixada do Brasil em Pyongyang tem um abrigo subterrâneo e um gerador próprio.

* com informações da Reuters

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