Internacional

3/2/2013 às 10h33 (Atualizado em 3/2/2013 às 10h50)

Diretor do Bolshoi diz saber quem o atacou com ácido

Sergei Filin não dará nomes até que os investigadores estejam prontos para anunciar oficialmente os culpados

BBC Brasil

Diretor artístico do balé Bolshoi Sergei Filin foi atacado em frente à sua casa, em Moscou, no dia 17 de janeiro Reprodução BBC

O diretor artístico do balé Bolshoi diz ter ''certeza absoluta'' de que sabe quem estava por trás do ataque com ácido que causou queimaduras de terceiro grau em seu rosto e pescoço.

Mas em entrevista à BBC, Sergei Filin, de 42 anos, disse que não dará nomes até que os investigadores estejam prontos para fazer um anúncio oficial sobre os culpados.

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Ele afirma estar certo de que o objetivo do ataque era retirá-lo do posto de diretor artístico do Bolshoi e destruir a reputação da consagrada companhia de balé.

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Filin deve viajar para a Alemanha na semana que vem para dar continuidade ao seu tratamento. Seus olhos foram gravemente danificados pelo ataque realizado no dia 17 de janeiro, em frente à sua casa, em Moscou.

O diretor artístico do Bolshoi, afirma que sabe que algumas pessoas não gostavam da forma que ele estava conduzindo a companhia de balé, que é conhecida por suas brigas internas e rivalidades, mas acrescentou que não tinha quaisquer ''inimigos confessos''.

Leia a seguir a entrevista exclusiva dada por Filin, no sábado, à BBC:

BBC — Como está indo o tratamento?

Sergei Filin — O tratamento está indo bem. Estou satisfeito, mas o mais importante é se os médicos estão satisfeitos. De um modo geral, está indo bem. Eu me sinto bem. Meu corpo está cheio de força e energia. A prioridade agora é minha vista. Porque o problema mais sério e mais grave permanece sendo os meus olhos.

BBC — Como está sua vista?

Filin — Não posso dizer. Já passei por quatro operações e hoje fiz outra pequena cirurgia que não havia sido prevista. Meus olhos estão sendo monitorados constantemente. Um olho foi mais atingido do que o outro. O olho esquerdo foi um pouco menos prejudicado, o olho direito foi mais. Portanto, será preciso muito trabalho para tratá-los. Não seria correto eu comentar sobre a minha condição. Acho que isso cabe aos médicos. Mas posso dizer o seguinte: baseado no que estou sentindo, quando os médicos me dão a oportunidade de meio que abrir meus olhos e fazer com que eu tente ver alguma coisa, acredito que haja uma chance de que eu serei capaz de ver meus filhos novamente. Realmente quero acreditar nisso.

BBC — Você já havia sido ameaçado antes?

Filin — Já disse várias vezes que o que aconteceu está ligado unicamente ao meu trabalho junto ao Teatro Bolshoi. É claro, eu recebi ameaças. Eu acho que eu as ignorei com facilidade excessiva. Ignorei os conselhos de amigos para que eu passasse a ter um motorista e um segurança. Porque a intimidação que eu comecei a sofrer, ataques contra meus telefones celulares, que ficavam tocando constantemente, o hackeamento da minha conta de email, minhas mensagens foram reescritas de forma negativa e postadas no Facebook, eu percebo agora que tudo isso iria levar à tragédia que acabou ocorrendo. Se eu tivesse levado isso mais a sério como o sinal de que um ataque estava para ocorrer, se eu pelo menos tivesse contratado um motorista, isso nunca teria acontecido.

BBC — Houve ameaças concretas, do tipo, ''se você não fizer isso, nós faremos isso''?

Filin — Não, ninguem me ameaçou diretamente.

BBC — Qual você acredita que tenha sido o objetivo do ataque?

Filin — Acho que havia dois objetivos. O que está claro é que isso foi fruto da psicose de uma ou mais pessoas que tinham pressa em me causar muita dor para realizar suas ambições pessoais. Essa é a primeira coisa. O segundo objetivo era me tirar da direção artística do Bolshoi por um longo período, e prejudicar a reputação do Balé Bolshoi. Porque acredito que fizemos muitas coisas e estamos fazendo muitas coisas. Estamos indo na direção certa. E alguém realmente não gosta do que estou fazendo aqui. Talvez eles não gostem do fato de que eu fui bem-sucedido.

BBC — Por que você acha que alguém queria tirar você do Bolshoi? Você fez inimigos?

Filin — Quando estou tocando a minha vida e o meu trabalho, não tenho tempo de pensar se tenho inimigos. Não tenho quaisquer inimigos confessos. Tive uma carreira interessante e brilhante. E ao longo dela, nunca tive um momento em que eu temesse o que se passva do lado de fora, em que eu estivesse olhando por cima do meu ombro. Sou uma pessoa muito honesta. Tenho minhas opiniões a respeito das coisas, tomo decisões difíceis. Fui um adminstrador, o administrador de um coletivo muito sério, o Balé Bolshoi. Talvez houvesse pessoas que que não gostavam disso ou que achavam que eu não seria a pessoa certa ou que se incomodavam com isso. Mas não posso chamá-los de inimigos. Por que eles queriam se livrar de mim? Eu gostaria de esperar antes de responder isso. Eu acredito que as investigações darão a resposta a isso.

BBC — Eu não esperaria que você tivesse inimigos, mas você tem alguma ideia de quem pode ter feito isso?

Filin - Sim, não apenas eu suspeito de quem fez isso, como eu tenho certeza absoluta de quem o fez. Mas eu só falarei a respeito disso quando os investigadores estiverem prontos para divulgar isso.

BBC — Que medidas você tomou para proteger a si mesmo e à sua família daqui para a frente?

Filin — Não tive tempo para isso, porque, no hospital, todos os dias, tive de me submeter a uma série de procedimentos médicos, diversas operações, primeiro na pele do meu rosto, depois nos meus olhos. Todos os dias, olhos, pele, rosto. Quanto à segurança da minha família, toda a família agora está sendo vigiada.

BBC — Que mensagem você tem para as pessoas que organizaram esse ataque?

Filin — Você sabe, eu convidei um padre ao hospital para falar sobre este mesmo assunto. Ele ouviu minha confissão, eu pedi a ele que perdoasse todos os que têm ligações com este crime terrível. E eu sinceramente quero que eles entendam que eu os perdoo. Porque é Deus que irá julgá-los.

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