Internacional

4/2/2013 às 21h23

Egípcios pedem reforma da polícia; ministro se demite como protesto

Um ministro egípcio se demitiu nesta segunda-feira em protesto contra a violência policial, após as polêmicas imagens de um homem sendo agredido por agentes, em um dia marcado pelo funeral de um ativista morto depois de ter sido detido.

A agência oficial Mena anunciou a demissão do ministro Mohamed Saber Arab sem dar detalhes. O jornal pró-governo Al-Ahram indicou que o ministro quis manifestar o seu descontentamento com as imagens que mostram um manifestante nu sendo agredido pela polícia diante do palácio presidencial no Cairo.

Em um vídeo que indignou a opinião pública, é possível ver policiais agredindo um homem de 50 anos com cassetetes, arrancando sua roupa e o arrastando para colocá-lo em um furgão blindado.

Além disso, a morte de um militante nesta segunda-feira depois de sua detenção pela polícia exacerbou a ira contra as forças públicas.

A polícia recorreu a bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que protestavam perto da prefeitura de Tanta, no delta do Nilo, pouco depois do enterro do militante nesta cidade, segundo testemunhas.

Os manifestantes jogaram pedras nos agentes, segundo a mesma fonte.

Mohamed al-Guindi, de 28 anos, foi considerado desaparecido em 25 de janeiro, dia em que participou no Cairo de um protesto em ocasião do segundo aniversário da revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak em 2011.

Segundo seus advogados, o militante foi torturado em um centro policial, e depois levado a um hospital onde, de acordo com o Ministério da Saúde, chegou inconsciente e com uma hemorragia interna. O jovem entrou em coma e faleceu nesta segunda-feira.

"Ele morreu em consequência da tortura", anunciou seu partido, Corrente Popular, em um comunicado.

Nas redes sociais foram divulgadas fotografias do militante em uma cama, com o rosto desfigurado. Os ativistas o apresentam como o novo Khaled Said, um egípcio barbaramente agredido até a morte por policiais em 2010, que se tornou na época um símbolo para a onda de contestação.

Visivelmente incomodada, a presidência indicou que havia pedido que a procuradoria investigasse as circunstâncias da morte de Al-Guindi, e descartou que haja "um retorno às violações dos direitos dos cidadãos e das liberdades depois da revolução" que provocou a queda de Hosni Mubarak em fevereiro de 2011.

Há dois anos, a reforma da polícia, acusada de cometer abusos impunemente, foi uma das principais reivindicações dos egípcios que se mobilizaram contra Mubarak.

"A polícia egípcia pratica sistematicamente a violência e a tortura, e às vezes mata", denunciou a Iniciativa Egípcia pelos Direitos da Pessoa (EIPR) em um relatório divulgado na semana passada. A organização indicou que está investigando dezenas de casos de tortura nos últimos meses.

"Não houve mudanças maiores, nem sequer uma melhora cosmética, no aparato policial em matéria de estrutura administrativa, de tomada de decisões, de controle do trabalho da polícia ou de reforma e expulsão dos oficiais e agentes responsáveis por tortura ou assassinatos", segundo a ONG.

"Os jovens continuam sendo torturados e morrendo em sua busca por dignidade", destacou Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e agora uma figura de proa da oposição.

Nesta segunda, centenas de pessoas participaram na Praça Tahrir de uma oração em memória de Mohamed al-Guindi e de outro militante morto a tiros em uma manifestação recente. "Conseguir justiça para eles, ou morrer como eles", gritava a multidão.

jaz-tm/cr/dm

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