Internacional

12/4/2013 às 00h40 (Atualizado em 12/4/2013 às 09h28)

Em pé de guerra, países da Ásia contam com mais de 500 ogivas nucleares

Tensão criada pela Coreia do Norte pode servir de estopim para um conflito

Marcella Franco, do R7

Míssil do Paquistão capaz de carregar ogiva nuclear pode chegar a 2.500 km de distância Associated Press

Entre suas quase 40 nações, a Ásia é o continente que contabiliza mais países com arsenais nucleares em todo o planeta. Somando todos os armamentos, os países asiáticos que abertamente participam da corrida nuclear possuem mais de 500 ogivas, o que transforma o continente em um barril de pólvora perigoso.

Embora estejam muito longe de números como os de EUA e Rússia, que juntos detêm mais de 16 mil ogivas, os países asiáticos e seu poderio nuclear são vistos como uma ameaça mundial, especialmente pelo fato de estarem, em sua maioria, envolvidos em disputas territoriais e religiosas.

No centro da atual crise militar, a península coreana sempre foi um foco importante de tensão na região. “Trata-se de uma ponte que conecta a Ásia ao Pacífico, ou seja, uma porta de entrada para o continente”, explica Heni Ozi Cukier, cientista político e professor da ESPM, que já atuou no Conselho de Segurança da ONU.

— Todos os atritos que já aconteceram com o Japão, por exemplo, foram através desta península. É um território estratégico.

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A maior parte do arsenal nuclear asiático está nas mãos da China, potência econômica e militar do continente, que detém cerca de 240 ogivas. Mas, além de China e Coreia do Norte, outros países já estão em uma corrida nuclear há muito tempo.

Índia versus Paquistão

Índia e Paquistão realizaram com sucesso seus primeiros testes nucleares em 1998.

As bombas detonadas pela Índia em 11 e 13 de maio daquele ano foram as primeiras desde que o país inaugurou seu programa nuclear, em 1974. O Paquistão, por sua vez, respondeu ao que considerou uma afronta logo em seguida, conduzindo cinco explosões de bombas nucleares no dia 28 do mesmo mês.

Os dois países seguiram expandindo seus arsenais nucleares nos anos seguintes e, até hoje, tentam desenvolver uma gama ainda mais ampla de mecanismos de detonação. O último teste de míssil do Paquistão ocorreu na quarta-feira (10). Era uma resposta ao teste realizado pela Índia três dias antes.

O Paquistão, predominantemente muçulmano, e a Índia, de maioria hindu, já travaram três guerras desde a independência de ambos, em 1947. A principal razão do conflito é a disputa da Caxemira indiana, região contestada pelo Paquistão já que a maior parte da população é de origem muçulmana.

Os dois países beiraram uma guerra real depois de diversos conflitos na fronteira em 1999, 2002 e 2008, e hoje é possível dizer que o risco de uma batalha que culmine em uma disputa nuclear continua existindo.

O barril de pólvora asiático fica ainda mais cheio se for considerado o arsenal atômico de Israel, que detém, segundo informações não oficiais, cerca de 80 ogivas. Sem falar também do misterioso programa nuclear iraniano, acusado pela agência atômica da ONU (AIEA) de possuir fins militares.

Papel da ONU

A AIEA é quem tenta manter sob controle essa corrida armamentista. Para cumprir essa missão, a agência conta com o apoio das sanções do Conselho de Segurança da ONU — formado por EUA, Rússia, Reino Unido, França e China, potências já nuclearizadas —, além do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Criado em 1968 para, entre outras coisas, regular o domínio e desenvolvimento de armas nucleares, o tratado conta com a adesão de 189 países que se comprometem a não desenvolver ou adquirir armamentos desta natureza, embora possam pesquisar e desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos, desde que vigiados por inspetores da AIEA.

Dos países asiáticos, quase todos são membros signatários do TNP, com exceção de Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte, que chegou a participar do acordo, mas se retirou da lista em 2003.

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O receio é de que as crises apresentadas por Irã e Coreia do Norte estimulem o continente a entrar em uma corrida armamentista ainda mais grave.

“Com toda a tensão criada atualmente pela Coreia do Norte, existe um incentivo para os países na região desenvolverem suas próprias bombas atômicas”, avalia o professor de relações internacionais da FAAP Bernardo Wahl Gonçalves de Araújo Jorge.

A Coreia do Sul anunciou nesta semana que decidiu implantar um sistema de defesa contra mísseis em julho deste ano para poder lidar com a postura bélica do vizinho do Norte. O país também pretende gastar R$ 21 bilhões em caças de guerra norte-americanos.

Mas há quem aposte em uma postura ainda mais agressiva. Chung Mong-joon, filho do fundador da empresa sul-coreana Hyundai e ex-líder do partido do governo, disse nesta semana em Washington que chegou a hora de o país se retirar do TNP.

— A lição da Guerra Fria é que, contra armas nucleares, somente armas nucleares podem manter a paz.

O professor da FAAP vê uma ameaça verdadeira nesse tipo de discurso.

— Toda essa retórica agressiva da Coreia do Norte pode acabar empurrando a Coreia do Sul e o Japão a desenvolver seus arsenais. E é importante lembrar que os dois têm capacidade de desenvolver este tipo de armamento rapidamente, então seria algo a curto prazo. É uma possibilidade remota, mas ainda assim uma possibilidade.

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