Internacional

26/2/2013 às 10h48 (Atualizado em 26/2/2013 às 13h01)

'Empate' em eleições na Itália causa apreensão na Europa

Apesar de resultado, França e Alemanha pediram que a Itália mantenha o curso de reformas e austeridade

BBC Brasil

O centro-esquerdista Bersani (dir.) faturou a maioria na Cãmara, mas viu seu rival direitista Berlusconi (esq.) levar o maior número de cadeiras no Senado: embate continua Reuters

As eleições parlamentares na Itália terminaram em um 'empate' entre a centro-esquerda e a centro-direita, derrubando mercados e mergulhando a Europa e a zona do euro em uma nova onda de incertezas.

O bloco de centro-esquerda liderado por Pierluigi Bersani ganhou a Câmara dos Deputados, mas não obteve maioria no Senado. A frente de centro-direita liderada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi obteve mais votos no Senado do que qualquer outra agremiação política, mas igualmente sem obter a maioria.

O controle de ambas as Casas é necessário para governar o país.

O resultado da eleição, que ocorre em meio a uma das piores recessões enfrentadas pela Itália e em meio a um rigoroso pacote de medidas de austeridade fiscal, foi tão apertada que a margem de vitória anunciada pelo Ministério do Interior foi menor do que 1% para ambas as casas do Parlamento.

Itália estuda soluções após ingovernabilidade surgida nas urnas

Com parlamento dividido, futuro econômico e político da Itália vira dúvida

Lideranças europeias, que acompanhava atentamente o pleito que poderia definir os rumos da terceira maior economia da zona do euro, reagiram com preocupação.

França e Alemanha pediram que a Itália mantenha o curso de reformas e austeridade.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel García-Margallo, disse estar 'extremamente preocupado' com as consequências financeiras do pacote de medidas de austeridade fiscal para o país mediterrâneo.

'Trata-se de um pulo no abismo que não é bom nem para a Itália ou para a Europa', afirmou , segundo a agência de notícias Reuters.

Ao redor do mundo, os principais índices do mercado financeiro apontavam queda tão logo os resultados das eleições ficavam mais claros.

Comédia

O desempenho mais surpreendente da eleição foi de uma chapa antiausteridade liderada pelo comediante Beppe Grillo, o Movimento de Cinco Estrelas, que obteve 25,54% dos votos, consagrando-se como a terceira força da Câmara dos Deputados.

Correspondentes afirmaram se tratar de um êxito extraordinário para esse humorista genovês, cujos comícios ao redor do país durante o período eleitoral, despejando insultos contra uma desacreditada classe política, refletiram-se em um excelente desempenho nas duas Casas.

'Nós começamos uma guerra de gerações', disse Grillo.

— Eles são todos perdedores; eles vêm governando este país nos últimos 25 a 30 anos e nos levaram à catástrofe.

Enquanto isso, o bloco coordenado pelo atual premiê, Mario Monti, obteve uma longínqua quarta colocação, com 10% dos votos.

'Todo mundo sabe que hoje o país terá de enfrentar uma situação muito delicada', disse o líder de centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, enquanto os últimos votos eram apurados.

Já o ex-premiê Berlusconi admitiu a derrota para seus opositores na Câmara. Ele disse, entretanto, que será preciso refletir sobre o futuro da Itália a partir de agora, mas descartou a convocação de novas eleições.

Berlusconi acrescentou que não tentará costurar um acordo com o bloco centrista de Monti, e justificou sua decisão ao dizer que o mau resultado do partido do atual primeiro-ministro italiano revela o descontentamento da população com suas medidas de austeridade fiscal.

Com a apuração de todos os votos, o Ministério do Interior informou que o bloco de centro-esquerda de Bersani obteve 29.54% dos votos na Câmara dos Deputados, pouco acima dos 29,18% alcançados pela coalizão de Berlusconi.

Com o resultado, o bloco vencedor deverá ter 340 cadeiras na casa, o que lhe garante maioria.

Os votos de eleitores fora da Itália ainda não foram apurados.

Bersani, do bloco de centro-esquerda, também obteve o maior número de votos para o Senado, mas não conseguiu obter as 158 cadeiras necessárias para assegurar maioria absoluta.

Além disso, à medida que assentos adicionais sejam distribuídos com base nos votos regionais, o bloco de centro-direita de Berlusconi deve obter um maior número de cadeiras no Senado.

Em novembro de 2011, o então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, atualmente com 76 anos, deixou o cargo após acusações de mau gerenciamento da economia em meio à dificuldade de a Itália conter sua crise da dívida.

Berlusconi foi sucedido por Mario Monti, que liderou um gabinete de tecnocratas, que supervisionaram a implementação de cortes de gastos públicos, medidas impopulares que acabaram impondo sua derrota nas urnas.

— Alguns supuseram que nós conseguiríamos um resultado um pouco melhor, mas estamos satisfeitos com que alcançamos.

O que acontece no mundo passa por aqui

Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia

  • Espalhe por aí:

Veja também

Todas as notícias
Publicidade

Vitrine de ofertas

Compartilhe
Mergulho no lixo

Ativistas do freeganismo se alimentam de comidas jogadas fora

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Fotografia

Ensaio traz à tona "fantasmas" da desindustrialização nos EUA

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Imagens do ano

Entre sorrisos e lágrimas: veja as imagens mais emocionantes de 2013

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
Compartilhe
Perturbador

Crimes brutais chocaram o mundo em 2013. Veja os casos mais macabros

  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Google Plus
  • Últimas de Internacional

  • Últimas de Notícias

X
Enviar por e-mail
(todos os campos marcados com * são obrigatórios)
Preencha os campos corretamente.
Mensagem enviada com sucesso!