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Brasil

25/8/2013 às 18h07 (Atualizado em 25/8/2013 às 19h55)

Governo boliviano pede explicações após fuga de senador para o Brasil

Roger Pinto foi declarado foragido da justiça; chancelaria brasileira investigará o caso

Ministra da Comunicação garantiu em coletiva de imprensa que saída do senador (foto) não foi negociada Martín Alipaz/EFE

O governo da Bolívia afirmou neste domingo (25) desconhecer como o senador opositor Roger Pinto deixou o país na madrugada rumo ao Brasil, onde recebeu asilo político, e o declarou foragido da justiça.

— Pinto estaria em Corumbá (no Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia). Supomos que ele tenha saído por vias terrestres, através de algum acesso sem posto de controle migratório, de forma que agora ele é considerado foragido.

O ministro Carlos Romero afirmou à imprensa estatal que o senador abandonou "o país ilegamente, com contas a acertar na justiça", e que os procedimentos legais serão aplicados.

O ministro disse ter confiança de que "a embaixada (do Brasil na Bolívia), pelos canais diplomáticos, dará as devidas explicações".

O ministro informou que pediu, mediante a polícia boliviana, que o governo alerte a Interpol, não apenas porque há "uma sentença e a proibição de saída" do senador, como também pelo "deslocamento para um país vizinho sem realizar o registro oficial de saída da Bolívia".

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Já o ministro boliviano da Presidência, Juan Ramón Quintana, declarou que Pinto "fugiu como um delinquente vulgar", e não como um senador da República.

Quintana, braço direito do presidente Evo Morales e um dos principais articuladores políticos do governo, disse que "esta fuga precisa ser esclarecida, certamente as autoridades brasileiras vão ter que explicar isto".

— Não sabemos como escapou, mas trata-se da fuga de um delinquente porque é acusado penalmente (aqui na Bolívia). Pensávamos que o senador Roger Pinto se apresentaria à justiça para se defender.

Apesar do embróglio diplomático criado pela saída do senador ao Brasil, o governo boliviano garantiu que as relações entre os dois países não serão afetadas, embora uma explicação oficial de Brasília seja aguardada.

Amanda Dávila, ministra da Comunicação, garantiu em coletiva de imprensa que o fato não abala as relações entre os dois países.

— Este caso não afeta as relações com o Brasil. As relações entre Bolívia e Brasil continuam numa situação de absoluta cordialidade e respeito [...] o governo boliviano e o presidente Evo Morales sempre expressaram, e continuam o fazendo, todo seu afeto e respeito pela presidente (Dilma) Rouseff, e pelo governo brasileiro.

A saída do senador do território boliviano não foi, segundo a ministra, negociada.

— Nenhuma permissão foi outorgada a ele.

Ela explicou que por trás do caso Pinto "existem interesses políticos" de setores "ultra-conservadores" tanto da Bolívia quanto do Brasil.

— É um caso que se criou de maneira fictícia com informações falsas enviadas ao governo brasileiro por parte de sua embaixada em La Paz.

Em entrevista a um canal de televisão privado, a ministra culpou o ex-embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato, pelo envio de informações distorcidas.

A chancelaria brasileira investigará a saída de Pinto da Bolívia e sua entrada no Brasil, onde tem asilo político, anunciando que "tomará as medidas administrativas e disciplinares correspondentes", disse em nota este domingo.

— O Ministério está reunindo elementos sobre as circunstâncias em que foi verificada a saída do senador boliviano da embaixada brasileira e sua entrada em território nacional.

O encarregado de Negócios em La Paz será chamado para consultas em Brasília.

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Roger Pinto, de 53 anos, buscou refúgio em maio de 2012 na legação brasileira em La Paz, argumentando perseguição política após apresentar denúncias de corrupção contra o governo.

Apesar de o Brasil ter concedido asilo político a ele, o governo boliviano negava o salvo-conduto alegando que seu caso não era político, mas sim jurídico.

Em junho, um tribunal condenou a Pinto a um ano de prisão por prejuízos econômico ao Estado, apesar de sua defesa responder que trata-se de "uma decisão política" destinada a dificultar sua saída do país.

Pinto, que chegou à Brasília na madrugada de domingo, agradeceu "ao Brasil e as suas autoridades" pela concessão do asilo político.

— Espero que prossiga meu asilo. Tenho asilo e espero que continue.

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