Internacional

26/2/2013 às 08h39 (Atualizado em 26/2/2013 às 08h47)

Irã critica aparição de Michelle Obama no Oscar e cobre seu decote

Para o país, Hollywood é uma máquina "totalmente política" destinada a propagar as mensagens dos EUA

Do R7, com agências internacionais

Tudo indica que uma foto publicada pela agência de notícias Fars (à direita) foi modificada, já que o retrato mostra Michelle Obama de ombros cobertos Reprodução/thetimes.co.uk

A mídia iraniana criticou a aparição da primeira-dama dos Estados Undidos, Michelle Obama, na cerimônia do Oscar e afirmou que o prêmio de melhor filme a Argo, longa-metragem de Ben Affleck que fala sobre a crise dos reféns americanos de 1979, teve um fundo político. Além disso, uma imagem de Michelle foi manipulada por uma agência de noticías para cobrir seu decote.

Para a televisão estatal iraniana, a 85ª cerimônia do Oscar foi "a mais política de todos os tempos". Michelle Obama foi a grande surpresa da noite do Oscar, no último domingo (24). Ela abriu o envelope e anunciou o filme vencedor diretamente da Casa Branca. Para a televisão iraniana, esta intervenção "reforça as dúvidas que a recompensa de Argo tinha motivos políticos".   

Michelle usou um vestido que deixava braços, ombros e uma parte do colo à mostra, o que seria proibido na República Islâmica, onde o código de vestimenta é rigoroso para as mulheres. Tudo indica que uma foto publicada pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária do Irã, foi modificada, já que o retrato mostra Michelle Obama de ombros cobertos.   

O apresentador da TV estatal iraniana acusou Ben Affleck, diretor e ator principal de Argo, de ter se especializado no "exagero", criticando-o de "aumentar as coisas de tamanho e criar cenas falsas". Explorando alguns aspectos da realidade, o filme retoma a complicada retirada pela CIA de seis diplomatas americanos refugiados na embaixada do Canadá em Teerã. Para deixar o país, os reféns se passaram por membros da produção de um filme de ficção científica. Os diplomatas conseguiram deixar a embaixada americana por uma porta arrombada no dia 4 de novembro de 1979 quando estudantes islamistas fizeram 52 pessoas reféns, que só foram liberadas 444 dias depois.  

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Para a agência de notícias Fars, Argo, que levou diversos prêmios ao redor do mundo, é um filme "anti-iraniano", financiado "por uma empresa sionista", em alusão ao estúdio da Califórnia Warner Bros.   

Na última quarta-feira, o guia supremo iraniano, o aiatolá Khamenei, já tinha acusado Hollywood de ser uma máquina "totalmente política" destinada a propagar a mensagem de Washington. "Hollywood é totalmente política. Se não fosse, teria deixado nosso filme antissionista participar dos festivais de cinema", afirmou o aiatolá em seu site oficial (khamenei.ir).  

— Fazer filmes políticos anti-iranianos e recompensá-los é um sinal claro que política e arte se misturam nos Estados Unidos.  

Em 2007, a epopeia hollywoodiana 300, que conta a história das guerras greco-persas, apresentando os persas como sanguinários, despertou a cólera dos iranianos.  

No plano político, Irã e Estados Unidos não têm mais relações diplomáticas desde a crise dos reféns. As tensões permanecem com o programa nuclear iraniano, suspeito pelos países ocidentais de ter um viés militar apesar das negativas de Teerã.  

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