Internacional

25/2/2013 às 10h20

Israel teme início de nova rebelião palestina

Reuters

Por Jeffrey Heller

JERUSALÉM, 25 Fev (Reuters) - O ministro israelense de Segurança Doméstica manifestou, nesta segunda-feira, a preocupação de que uma onda de protestos palestinos violentos na Cisjordânia se transforme em uma nova intifada (rebelião).

A morte de um palestino em uma prisão israelense, no sábado, e uma greve de fome realizada por quatro outros prisioneiros alimentam as tensões na Cisjordânia, onde manifestantes atirando pedras travam repetidos confrontos com soldados israelenses nos últimos dias.

"As duas intifadas anteriores... ocorreram como resultado de um elevado número de mortes (durante protestos)", disse o ministro Avi Dichter a uma rádio. "As vítimas fatais são uma receita quase comprovada para uma maior escalada."

Soldados israelenses compareceram em grande número na segunda-feira ao funeral de Arafat Jaradat, de 30 anos, que havia sido preso há apenas uma semana por apedrejar carros israelense na Cisjordânia.

Autoridades palestinas dizem que ele morreu após ser torturado. Israel afirmou que uma autopsia, realizada na presença de um legista palestino, foi inconclusiva, e que as lesões, como costelas quebradas, podem ter sido causadas durante os esforços de ressuscitação do homem.

A frustração palestina tem sido alimentada pela expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, pela paralisação do processo de paz desde 2010, e pela persistente divisão entre a Autoridade Palestina, do presidente Mahmoud Abbas, e o grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

"Não temos escolha senão continuar a resistência popular e escalá-la diante da ocupação, seja pelo Exército ou pelos colonos", disse à Reuters Mahmoud Aloul, dirigente do partido Fatah, de Abbas, cujo poder está restrito à Cisjordânia.

Dichter disse que Israel precisa ter cuidado ao lidar com os protestos, e acusou os palestinos de se fazerem de vítimas antes da chegada à região do presidente dos EUA, Barack Obama, no mês que vem.

"Não acho que a Autoridade Palestina tenha a ganhar com uma intifada, assim como não conseguiu nada com a primeira e segunda intifadas", disse ele. "Mas eu diria que, após se portarem com pensamentos fracos e deturpados ao longo dos anos, eles nem sempre reconhecem o que é do seu melhor interesse."

Os palestinos estão atualmente se mobilizando pelos quatro presos em greve de fome, dos quais dois são mantidos na cadeia sem julgamento, sob suspeita de atividade anti-israelenses.

Cerca de 4.700 palestinos estão presos em Israel, e são vistos como heróis por seus compatriotas. A eventual morte dos grevistas de fome --um deles rejeita comida, intermitentemente, há mais de 200 dias-- deve levar a uma violência generalizada.

A primeira intifada aconteceu de 1987 a 1993, quando foi assinado o tratado de paz provisório de Oslo.

A segunda estourou em 2000, depois do fracasso de negociações para um acordo de paz definitivo. Nos sete anos seguintes, mais de mil israelenses morreram, sendo metade deles em atentados suicidas que tinham como alvo principalmente os civis. Mais de 4.500 palestinos foram mortos pelas forças de segurança de Israel.

(Reportagem adicional de Ori Lewis em Jerusalém e Ali Sawafta em Ramallah)

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