Internacional

7/1/2013 às 19h15 (Atualizado em 7/1/2013 às 19h13)

Jornalistas chineses fazem rara greve contra censura

Jornal Southern Weekly é um dos mais respeitados do país e conhecido por testar os limites da liberdade de imprensa na China

BBC Brasil

Manifestantes protestam próximo à sede do jornal em 07.01.2013/James Pomfret/Reuters

Quase cem jornalistas de um dos principais jornais da China, o Southern Weekly, estão em greve, em um raro protesto contra a censura no país.   O descontentamento que levou à paralisação começou na semana passada, quando um editorial de Ano Novo publicado no jornal foi modificado por oficiais de propaganda do governo.   O texto original, que pedia por reformas e direitos constitucionais garantidos, foi transformado por censores do governo em um artigo elogiando o Partido Comunista.

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Em resposta, a equipe do jornal e ex-funcionários, entre eles alguns jornalistas famosos, escreveram duas cartas abertas pedindo a renúncia do chefe de propaganda da Província de Cantão, Tuo Zhen, acusando-o de ser "ditatorial" em uma era de "crescente abertura".

Na noite de domingo, uma mensagem no microblog oficial do jornal negou que o editorial houvesse sido modificado por causa de censura, afirmando que os "rumores online" eram falsos.

As atualizações do microblog, supostamente feitas por editores do alto escalão do jornal, provocaram a greve de membros da equipe editorial que discordaram da ação.

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Manifestantes se concentraram em frente à sede do jornal em apoio à greve dos jornalistas. Um ex-jornalista do Southern Media Group disse à BBC que a polícia estava no local, mas que a segurança não estava tão rígida.   O Southern Weekly é considerado um dos jornais mais respeitados da China, conhecido por reportagens investigativas e por testar os limites da liberdade de expressão, diz o correspondente da BBC em Pequim, Martin Patience.   A imprensa chinesa costuma ser supervisionada pelos chamados departamentos de propaganda, que geralmente mudam o conteúdo de artigos para deixá-los mais alinhados à ideologia do partido.   Segundo o correspondente da BBC, esta é uma das primeiras vezes em que há um confronto direto entre a equipe de um jornal e agentes do partido.   Em um editorial sobre o conflito, publicado na sexta-feira, o jornal estatal Global Times disse: "A realidade é que antigas políticas de regulação da imprensa não podem continuar como estão. A sociedade está progredindo, e a administração deve evoluir".   No entanto, o texto também ressaltou que "não importa como a imprensa chinesa seja regulada, nunca será igual à imprensa ocidental".   Há relatos de que as pesquisas pelo termo Southern Weekly no weibo, espécie de Twitter local, estavam bloqueadas nesta segunda-feira.   Na semana passada, ao ser questionada sobre o caso envolvendo o Southern Weekly, uma porta-voz do Ministério do Exterior disse que "não há a chamada censura a notícias na China".   A maneira como o caso será tratado é vista como um importante teste para as autoridades chinesas. Segundo correspondentes da BBC na China, caso a greve vá adiante, o escândalo pode representar uma grande dor de cabeça para o novo líder chinês, Xi Jinping.  

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