Internacional

6/4/2013 às 13h46 (Atualizado em 6/4/2013 às 21h31)

Medo e ruas vazias: clima é tenso na fronteira entre as Coreias

Correspondentes da Rede Record estão na divisa entre Sul e Norte e relatam situação nas pequenas cidades da região

Do R7, com Jornal da Record e agências internacionais

Em Paju, soldados sul-coreanos observam o retorno de veículos do complexo industrial em Kaesong, situado na Coreia do Norte mas que contra com milhares de trabalhadores do Sul 06.04.2013/Lee Jae-Won/Reuters

Ruas vazias e medo. Essa é o clima vivido nas cidades sul-coreanas próximas da fronteira com a Coreia do Norte, relatam os correspondentes da Rede Record André Tal e Futa Nagao, que chegaram neste sábado (6) à região. A maioria das pessoas está em casa, se preparando para um eventual conflito.

Os jornalistas desembarcaram na noite de sexta-feira (5) em Seul, capital da Coreia do Sul, e partiram hoje para o norte, rumo à fronteira entre as duas Coreias.

— Neste sábado nos deslocamos até a divisa com o Norte, onde a sensação é de um conflito iminente. A região fronteiriça é montanhosa e apenas poucos quilômetros dividem os dois países.

A região vive um clima de muita tensão, relatam os correspondentes, já que um conflito pode se iniciar a qualquer momento. Soldados sul-coreanos fecharam a área e controlam a aproximação de qualquer pessoa.

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Ontem, a Coreia do Norte alertou as representações diplomáticas em seu país que, a partir da próxima quarta-feira (10), não poderá mais garantir a segurança das embaixadas no caso de um conflito.

O alerta preocupa ainda mais porque, durante a semana, o regime comunista levou dois mísseis de médio alcance, instalados sobre plataformas móveis, para a costa leste do país, segundo o serviço de inteligência do Sul.

Apesar do risco de um ataque, as autoridades sul-coreanas e norte-americanas acreditam que, o mais provável, é que o ditador norte-coreano Kim Jong-un ordene um teste com esses armamentos nos próximos dias, o que agravaria ainda mais o clima tenso na região.

Apesar do alerta de ontem, não há sinais de que as embaixadas em Pyongyang serão esvaziadas. Matéria divulgada pela BBC Brasil na noite deste sábado (6) dá conta de que, até o momento, os diplomatas não seguiram as orientações dadas pela Coreia do Norte para deixar o país.  

Imagem da AFP mostra autoridades norte-coreanas revisando os passaportes de um grupo de estrangeiros STR/AFP

A agência de notícias France Presse divulgou hoje cinco imagens que mostram um grupo de estrangeiros em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, embarcando em um avião da Air Koryo. Segundo a AFP, seria um grupo de diplomatas e turistas estrangeiros com destino a Pequim, na China.

Apesar das imagens, não há confirmação de que o grupo faria parte de uma debandada oficial do país comunista. Até a publicação desta reportagem, nenhum governo anunciou que irá esvaziar suas embaixadas.

Entre os países que têm embaixada em Pyongyang estão Brasil, Rússia, Alemanha, Reino Unido, China, Irã, Cuba, Suécia, Polônia, República Tcheca, Bulgária, Romênia, Índia, Paquistão e Síria.

A maioria dos países considerou o alerta feito a suas representações diplomáticas como pouco mais do que retórica estridente, depois de semanas de ameaças de lançar um ataque nuclear contra os Estados Unidos e declarações de guerra contra a Coreia do Sul, relata a agência de notícias Reuters.

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O Brasil, que mantém uma embaixada em Pyongyang, informou na sexta-feira que o governo ainda avaliava a situação na península coreana para decidir sobre a transferência dos funcionários no país.

Segundo o Itamaraty, seis brasileiros vivem atualmente na Coreia do Norte, incluindo o embaixador, sua mulher e filho, um funcionário administrativo, além da mulher e filha do embaixador palestino, que são brasileiras.

Norte proíbe entrada de trabalhadores do Sul em complexo industrial

Quem vem sofrendo mesmo com a tensão são os trabalhadores sul-coreanos que trabalham no complexo industrial de Kaesong, único projeto de cooperação entre os dois países e que fica do lado Norte da fronteira.

A entrada no complexo está proibida desde quarta-feira. Hoje, poucos caminhões com mercadorias tentaram cruzar a fronteira, mas foram impedidos e tiveram que dar meia-volta.

Autoridades da Coreia do Sul haviam advertido que o bloqueio de matérias primas e de trabalhadores poderia obrigá-las a suspender as operações em Kaesong em alguns dias.

Pyongyang permitiu a saída dos sul-coreanos que permaneciam em Kaesong, e a volta de cem deles era esperada neste sábado. Com isso, cerca de 500 continuarão no complexo, indicou o Ministério da Unificação da Coreia do Sul.

O ministro da Unificação sul-corean, Ryoo Kihl-Jae, disse na sexta-feira que Seul considera retirar seus cidadãos de Kaesong se sua situação ficar insustentável.

Pyongyang já havia ameaçado retirar seus 53.000 trabalhadores contratados por 123 empresas sul-coreanas e fechar todo o complexo.

Kaesong, localizado dez quilômetros dentro do território do Norte, foi criado em 2004 e é fundamental para a economia do país comunista.

Independentemente do clima na capital norte-coreana, Pyongyang, e na fronteira, a capital sul-coreana, Seul, encharcada pela chuva, parecia calma hoje. O trânsito continuava normal no centro da cidade, movimentado pelas compras de sábado.

Veja mais no vídeo abaixo, em matéria do Jornal da Record:

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