Internacional

13/2/2013 às 12h32 (Atualizado em 13/2/2013 às 13h25)

Mistério sobre morte de 'agente duplo' em prisão gera escândalo em Israel

Australiano de origem judaica trabalhava para agência secreta de Israel, mas teria repassado informações a outra organização — um crime ainda não esclarecido

BBC Brasil

A morte de Ben Zygier ainda não foi esclarecida e está causa tremendo mal-estar no governo israelense; à direita, seu túmulo, em Melbourne Montagem/Reprodução (haaretz.com)/EFE

O caso de um suposto agente duplo do serviço secreto de Israel, que teria se suicidado numa prisão de segurança máxima, está provocando escândalo no país.

Uma ordem judicial suspendeu nesta quarta-feira (13) a censura imposta à imprensa israelense, que vinha sendo impedida de divulgar o caso.

A história, cujos detalhes ainda não foram esclarecidos, veio à tona no dia anterior por meio de uma reportagem da TV ABC, da Austrália.

A reportagem disse que um cidadão australiano havia sido preso em sigilo e sob identidade falsa e se suicidou na prisão israelense Ayalon em dezembro de 2010. O homem teria sido um agente do Mossad, o serviço secreto de Israel, mas também teria trabalhado secretamente para outro país ou organização.

Informações sigilosas

Segundo a ABC, o cidadão australiano Ben Zygier, de origem judaica, teria sido preso e julgado por um crime que até agora não está claro.

A reportagem informou também que Zygier havia mudado seu nome para Ben Alon e que também tinha um passaporte com o nome de Ben Allen.

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Ele teria sido um agente duplo que em algum momento supostamente teria 'traído' o Mossad e transmitido informações sigilosas da agência israelense para o outro país ou organização para qual trabalhava.

Zygier foi encontrado morto, por enforcamento, em sua cela na prisão Ayalon. Uma semana depois, seu corpo chegou à Austrália, onde foi enterrado no cemitério judaico de Melbourne.

Nenhuma informação sobre o caso havia sido divulgada em público até a transmissão da reportagem pela TV australiana.

Esclarecimentos

O ministro das Relações Exteriores da Austrália, Robert Carr, anunciou que pretende pedir esclarecimentos a Israel sobre a morte do cidadão australiano.

Deputados israelenses também pediram explicações ao governo sobre a prisão e morte de Zygier.

A família de Zygier na Austrália se negou a colaborar com a reportagem da TV ABC e se recusou a dar qualquer informação sobre o caso a jornalistas israelenses que tentaram contatá-la.

Para o analista da rádio Kol Israel Chico Menashe, o principal mistério da história de Zygier continua sem esclarecimento.

'Qual foi o crime que Zygier cometeu?', questionou Menashe.

— Que coisa tão terrível um ex-agente do Mossad poderia ter feito para ser preso em condições de total isolamento, na prisão de maior segurança de Israel, sem que nem os próprios carcereiros soubessem de sua verdadeira identidade?

A história, que está sendo definida como 'drama de James Bond', ou 'criação de John Le Carré' (famoso escritor de ficção) desperta muitas questões em Israel.

A apresentadora da rádio Kol Israel Esti Perez começou seu programa desta quarta-feira com a pergunta:

— Como é possível que, na democracia israelense, no século 21, uma pessoa desapareça na prisão?

'Regime totalitário'

Para o analista jurídico Moshe Negbi, 'detenções sigilosas caracterizam regimes totalitários, como o da Argentina na época dos generais'.

A história causa tanto constrangimento ao governo israelense que, segundo o jornal Haaretz, após a transmissão da reportagem da TV australiana, o primeiro ministro Binyamin Netanyahu reuniu os diretores dos principais veículos de comunicação do país para pedir que não publicassem as informações.

Durante a sessão do Parlamento na terça-feira, vários deputados utilizaram sua imunidade parlamentar para contornar as leis da censura e dirigiram perguntas sobre o mistério de Zygier ao ministro da Justiça, Yakov Neeman.

Neeman retrucou que 'não tem conhecimento' sobre o assunto e informou que nesta quarta-feira o ministro da Segurança Pública, que também é encarregado do Serviço Penitenciário, Itzhak Aharonovitch, responderia às perguntas.

No entanto, Aharonovitch cancelou sua presença no Parlamento na sessão desta quarta-feira.

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