Monti não se candidatará, mas diz estar pronto para dirigir a Itália

Após pedir renúncia, primeiro-ministro disse que vai estar de prontidão

Monti conversa com jornalistas na última coletiva do ano em Roma
Monti conversa com jornalistas na última coletiva do ano em Roma MAURIZIO BRAMBATTI/EPA/EFE

O chefe de governo italiano, Mario Monti, afirmou neste domingo (23) que não se candidatará às eleições gerais de fevereiro, mas disse estar pronto para dirigir o país, se o Parlamento o quiser.

"Para as forças que manifestam uma adesão convicta e credível ao programa Monti, estou pronto para dar minha opinião, o meu apoio, e se me pedirem, a dirigi-los", declarou Monti em uma coletiva de imprensa que começou às 10h30 (8H30 no horário de Brasília).

— Estou pronto para assumir um dia, se as circunstâncias o justificarem, as responsabilidades que seriam atribuídas a mim pelo Parlamento.

Monti, de 69 anos, anunciou a publicação na internet de "um programa para mudar a Itália e reformar a Europa", apresentado como "uma agenda para um engajamento comum, uma primeira contribuição para uma discussão aberta".

De acordo com ele, os pontos-chave da agenda são a criação de uma nova lei anticorrupção, um programa de liberalizações e uma reforma da lei eleitoral, com "muito rosa e muito verde", o que significa um espaço considerável às mulheres e ao meio ambiente.

Para ele, a chave é "não destruir os duros sacrifícios que os italianos tiveram que fazer" durante o ano passado.

Monti fez um balanço de seus 400 dias à frente do país, ao mesmo tempo em que atacou o seu antecessor e rival, Silvio Berlusconi.

"A crise financeira foi superada" e "sem a ajuda europeia ou do FMI", como muitos sugerem, comemorou.

"Os italianos podem manter a cabeça erguida como cidadãos europeus", ressaltou, após recordar "a situação perigosa em que o país se encontrava", quando assumiu, em novembro de 2011, o cargo de Silvio Berlusconi.

Provocação

Uma alfinetada foi guardada para o Povo da Liberdade (PDL), partido do Cavaliere, responsável por sua saída prematura ao retirar o seu apoio do governo.

Monti criticou com ironia Berlusconi, expressando a sua "consternação" com as declarações contraditórias do Cavaliere.

— Eu tenho muita dificuldade em seguir a linearidade do seu pensamento.

"Há um quadro de compreensão mental que me escapa", frisou, lembrando que o seu antecessor havia qualificado os seus resultados à frente do país como um "desastre", quando dias antes o chamou para liderar uma coalizão moderada.

Ao atacar uma das promessas de Berlusconi, de suprimir o IMU, imposto muito impopular sobre a propriedade, Monti advertiu: "se retirarmos a IMU, no ano seguinte ele retornará em dobro".

Pressionado por todos os lados, pelos parceiros europeus, mas também internamente, pela comunidade empresarial e a Igreja Católica para se engajar na arena política, pediu cautela.

Candidatar-se às eleições gerais significaria um combate direto com Pier Luigi Bersani, candidato da esquerda e favorito ao cargo de primeiro-ministro. Bersani já anunciou que, se eleito, irá continuar no caminho da reforma.

Outro confronto perigo seria com Silvio Berlusconi, em campanha desde o início de dezembro. "Não há nada para salvar do governo Monti", disse o Cavaliere no sábado, prosseguindo com seu discurso anti-impostos e anti-euro.

Em paralelo, o seu partido PDL exortou o presidente Giorgio Napolitano para assegurar a "neutralidade" de Monti durante a campanha.

Finalmente, as pesquisas não são animadoras para Mario Monti. De acordo com o instituto SWG, o presidente do Conselho conquistaria apenas seis pontos e não teria força o bastante na formação do próximo governo.

A mesma pesquisa mostra que 60% italianos são contra a candidatura política de Monti.

Isso explicaria a postura cautelosa adotada por Mario Monti neste domingo, o que o deixa "na reserva da República" como primeiro-ministro, caso não haja maioria clara no Parlamento.

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