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Mortes na Venezuela cruzam fronteira do Brasil

Crise humanitária se somou à tensão diplomática entre governos de Temer e Maduro

Da Ansa Brasil

30 mil venezuelanos já deixaram a o país natal por conta da crise
30 mil venezuelanos já deixaram a o país natal por conta da crise Reuters

A Organização das Nações Unidas enviou uma missão ao norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, região onde três indígenas morreram em acampamentos precários e milhares de imigrantes são vítimas de "xenofobia". A crise humanitária dos imigrantes venezuelanos se somou a tensão diplomática entre os governos de Michel Temer e Nicolás Maduro.

Um grupo de observadores do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiado) e funcionários brasileiros viajaram para a região amazônica, onde vivem uns 30 mil venezuelanos que deixaram seu país em decorrência de uma grande crise política.

Entre outubro passado e março, membros da ONU também foram para Roraima para dialogar com representantes do governo, das forças de segurança e representantes da comunidade venezuelana.

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Outro contingente de imigrantes se estabilizaram no Estado de Amazonas, considerado o mais extenso do Brasil e o principal do norte do país. Na última segunda-feira (15), na cidade de Manaus, um bebê venezuelano, da etnia Warao, filho de uma família de refugiados, faleceu vítima de pneumonia.

Esta criança é o terceiro membro dessa comunidade indigena a morrer no Brasil nos últimos meses, quando cresceu o fluxo de venezuelanos que saíram de seu país de origem devido ao agravamento da crise política e da falta de alimentos.

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Estima-se que uns 400 cidadãos Warao chegaram a Manaus, onde construiram acampamentos precários, sem assistência sanitária, segundo denúncia do Ministério Público Federal.

Já a maioria dos venezuelanos se estabeleceu em Roraima, cujas autoridades pediram apoio para o presidente Temer para resolver a situação crítica, principalmente na cidade de Pacaraima, de 12 mil habitantes, que é a principal porta de entrada de estrangeiros.

O sistema de saúde e as escolas da região estão em "colapso" devido à demanda de venezuelanos. Segundo o governo de Roraima, uma parte dos venezuelanos realizam trabalhos temporários e outros percorrem pelas ruas por não terem dinheiro para pagar aluguel.

Milhares de imigrantes cruzam a fronteira uma vez por mês apenas para comprarem comida e produtos básicos que não são encontrados nos mercados da Venezuela.

Na semana passada, Temer reiterou sua disposição para enviar ajuda humanitária ao país logo após receber em Brasília a ativista venezuelana de direitos humanos Lilian Tintori, esposa do líder político Leopoldo López.

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As relações diplomáticas entre Brasília e Caracas estão suspensas desde o ano passado quando Temer assumiu a presidência depois do impeachment de Dilma Roussef.

Nicolás Maduro acusou Temer de organizar um suposto "golpe" e retirou seu embaixador de Brasília. As desavenças diplomáticas se traduziram nas tensões da fronteira.

Em dezembro, o presidente venezuelano ordenou fechar por duas semanas a fronteira binacional que desencadeou uma crise no abastecimento de gasolina em Paraíma. Além disso, "a convivência entre brasileiros e imigrantes nem sempre é harmoniosa", explicou Ivonne Salucci, do Comitê Estadual de Enfrentamento a Violência Sexual de Roraima.

Segundo ela, alguns moradores da capital Boa Vista têm se comportado de maneira "violenta e xenófoba" com os venezuelanos, especialmente com as profissionais do sexo.

Na Venezuela, na onda de protestos contra o governo e Maduro, mais uma morte foi registrada. De acordo com o Ministério Público do país, a vítima foi um adolescente de 15 anos, que morreu durante uma manifestação no estado de Táchira, para onde o governo venezuelano disse que enviará mais de 2 mil policiais militare para "manter a ordem interna".

Nesta quarta-feira (17), subiu para 50 o número de mortos em mais de um mês de protestos contra o governo do presidente da Venezuela. Um homem de 30 anos foi assassinado a tiros n no estado de Táchira, segundo o jornal "El Nacional". A família da vítima, identificada como Manuel Castellanos, conta que ele não participava de nenhuma manifestação e voltava para casa após ter comprado fraldas para o filho.

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Itália

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Angelino Alfano, afirmou nesta quarta-feira (17) que na "Venezuela o risco de uma potencial guerra civil é concreto".

Em comunicado, Alfano ainda disse que "a Venezuela é um país que nós nos importamos muito pelas ligações históricas, ouso a dizer de sangue".

Segundo ele, "os riscos da situação envolve pelo menos 150 mil cidadãos italianos", acrescentou.

ONU

Nesta quarta-feira (17), o Conselho de Segurança da ONU analisa a situação na Venezuela durante reunião informal a portas fechadas, informaram fontes diplomática. Os Estados Unidos, um dos cinco membros permanentes do conselho, pediram que o tema da Venezuela fosse incluído em uma reunião que já estava programada para analisar outros assuntos.

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