O presidente do Uruguai, José Mujica, reconheceu na terça-feira (18) ter pedido aos legisladores do seu partido que "freassem" a tramitação da iniciativa que pretende legalizar a compra e a venda da maconha e fazer do Estado seu único gerente — iniciativa que ele próprio promoveu —, porque a sociedade ainda "não está madura".
Em declarações recolhidas pelo Canal 10 da televisão uruguaia, Mujica indicou que seu desejo é que o desenvolvimento deste projeto seja feito de forma "suave", até que a população entenda o que se pretende com a medida.
O líder se expressou assim depois da divulgação de uma pesquisa na qual 64% dos uruguaios se disseram contra o projeto, incluindo 53% dos eleitores da governante coalizão de esquerda Frente Ampla (FA).
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"Não votem uma lei porque têm maioria no Parlamento. A maioria tem que estar na rua, e o povo tem que entender que com tiros e prisões o que fazemos é dar um mercado ao narcotráfico", disse Mujica.
O presidente aposta então em aprofundar o debate público sobre a legalização da maconha e se mostrou confiante de que, por fim, o povo uruguaio "entenderá que estamos em uma guerra e que esta é uma artilharia que não prejudica ninguém".
O Governo uruguaio apresentou a iniciativa de legalizar a maconha como parte de um plano para combater o narcotráfico ao tirar seu mercado e evitar que os consumidores precisem frequentar ambientes pouco seguros para comprá-la.
O projeto de lei que vem sendo estudado pelo Parlamento uruguaio autoriza o Estado a assumir "o controle e a regulação de atividades de importação, exportação, plantação, cultivo, colheita, produção, aquisição, armazenamento, comercialização e distribuição de cannabis e seus derivados".
Além disso, seria permitido o "autocultivo" de até seis plantas de maconha, com uma colheita máxima de 480 gramas anuais, para uso doméstico "destinado ao consumo pessoal ou partilhado dentro do lar".
Também se permitiria a instalação de clubes com até 15 membros que poderiam cultivar 90 plantas de maconha.

