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publicado em 31/08/2012 às 20h13:

A origem das línguas indo-europeias

The New York Times News Service / SindicatoThe New York Times News Service / Sindicato

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Com o uso de ferramentas desenvolvidas para montar árvores genealógicas, biólogos disseram ter conseguido solucionar um dos maiores enigmas da Arqueologia: a origem da família linguística indo-europeia.

A família inclui o inglês e muitas outras línguas europeias, bem como o persa, o hindu e outras. Apesar da importância das línguas, os especialistas por muito tempo discordaram sobre sua origem.

Linguistas acreditam que os primeiros falantes da "língua-mãe", chamada de proto-indo-europeu, eram pastores nômades e guerreiros que andavam de carruagem e saíram de sua terra natal nas estepes ao norte do Mar Negro, há 4 mil anos, e conquistaram a Europa e a Ásia. Uma teoria rival diz que, ao contrário, os primeiros falantes da família linguística indo-europeia foram fazendeiros pacíficos que viviam na Anatólia, região onde hoje está a Turquia, há cerca de 9 mil anos, que disseminaram sua língua pela enxada, não pela espada.

Quem acaba de adentrar o debate é o biólogo evolucionista Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Ele e sua equipe analisaram o vocabulário existente e o alcance geográfico de 103 línguas indo-europeias. Com a ajuda de computadores, retraçaram seus passos até a origem mais estatisticamente provável das línguas.

O resultado, divulgado na edição desta semana do periódico Science, foi um apoio decisivo à teoria da Anatólia, e não à teoria da origem nas estepes. Tanto a cronologia quanto a raiz da árvore genealógica das línguas indo-europeias "condizem com uma expansão agrícola que teria começado entre oito mil e 9500 anos atrás", escreveram eles.

Contudo, apesar dos seus métodos estatísticos avançados, o estudo dos pesquisadores pode não convencer a todos.

Os pesquisadores começaram o estudo com uma série de palavras conhecidas por sua resistência às mudanças linguísticas, como pronomes, partes do corpo e relações familiares, e as comparou com a palavra ancestral inferida em proto-indo-europeu. As palavras que têm uma linha clara de descendência do mesmo ancestral são conhecidas como cognatas. Assim, "mother" (inglês), "mutter" (alemão), "mat" (russo), "madar" (persa), "matka" (polonês) e "mater" (latim) são todas cognatas derivadas do proto-indo-europeu "mehter".

Atkinson e seus colegas atribuíram então um valor a cada série de palavras no vocabulário das 103 línguas. Em línguas nas quais a palavra era cognata, os cientistas deram o valor de 1; naquelas em que ela foi substituída por uma palavra não relacionada, o valor era zero. Cada língua foi então representada por uma sequência de uns e zeros, e os pesquisadores puderam computar as árvores genealógicas mais prováveis mostrando as relações entre as 103 línguas.

Em seguida, as datas das divergências linguísticas de que se tinha conhecimento foram inseridas no computador. O romeno e outras línguas latinas, por exemplo, começaram a divergir do latim depois de 270 d.C., quando as tropas romanas deixaram a província romana de Dácia. Ao aplicar tais datas a alguns ramos da árvore, o computador conseguiu estimar as datas de todo o resto.

Também foram registrados no computador os dados geográficos do alcance atual de cada língua. Além disso, foram calculados os caminhos de distribuição mais prováveis de cada origem, dada a provável árvore genealógica de descendentes. Os cálculos apontaram para a Anatólia, uma região em forma de losango que fica no sul do que hoje é a Turquia, como a origem mais plausível do indo-europeu – uma área que já havia sido proposta como local de origem do indo-europeu pelo arqueólogo Colin Renfrew em 1987, porque dali também se irradiou a agricultura para o resto da Europa.

O trabalho de Atkinson integrou uma grande quantidade de dados com um método computacional que havia se mostrado bem-sucedido em estudos de evolução. Mas os resultados que obteve talvez não mudem a opinião daqueles que apoiam a teoria rival, que defende que as línguas indo-europeias se espalharam cerca de 5 mil anos mais tarde, por meio de pastores guerreiros que conquistaram a Europa e a Índia a partir das estepes do Mar Negro.

Um elemento fundamental de suas provas está no fato do proto-indo-europeu ter um vocabulário relativo a carruagens e carroças que inclui palavras que designam "roda", "eixo de rodas", "couraça" e "locomoção em um veículo". Tais palavras têm inúmeros descendentes entres as línguas-filhas indo-europeias. Assim, o indo-europeu não poderia ter se fragmentado entre essas línguas-filhas, argumentam os linguistas históricos, antes da invenção de carruagens e carroças, cujos exemplos mais antigos de que se tem notícia datam de 3500 a.C. Isso descartaria qualquer conexão entre o indo-europeu e a difusão da agricultura cuja origem seria a Anatólia, que aconteceu muito antes.

"Eu vejo o indício dos veículos com rodas como um trunfo valioso que acaba com qualquer árvore genealógica", disse David Anthony, arqueólogo da Faculdade Harwick que estuda origens indo-europeias.

Os linguistas históricos veem outros indícios no fato de que os primeiros falantes de indo-europeu tinham palavras para "cavalo" e "abelha", e emprestaram muitas palavras básicas ao proto-urálico, que deu origem ao finlandês e ao húngaro. O melhor local para se encontrar cavalos selvagens, abelhas e estar próximo a falantes do proto-urálico seria a região das estepes acima do Mar Negro e do Cáspio. Os indivíduos do povo kurgan, que ocupou a região entre cinco mil e três mil a.C., por muito tempo foram considerados os primeiros falantes de indo-europeu.

Em um livro recente, "The Horse, the Wheel and Language" ("O Cavalo, a Roda e a Linguagem", em tradução livre), Anthony descreve como os povos das estepes desenvolveram uma sociedade móvel e um sistema social que lhes permitiu partir de fora de sua terra natal em várias direções e espalhar sua língua nas direções leste, oeste e sul.

Anthony disse ter achado a árvore de línguas de Atkinson implausível no que diz respeito a vários detalhes. O tocariano, por exemplo, é um grupo de línguas indo-europeias falado no noroeste da China. É difícil imaginar os tocarianos migrando até lá do sul da Turquia, disse ele, enquanto que a migração da região de Kurgan até as Montanhas Altai do leste da Ásia Central é bem conhecida e poderia ter sido a precursora dos falantes de tocariano que vivem ao longo da Rota da Seda.

Segundo Atkinson, esse é um "argumento infundado" e tais conjecturas deveriam ser avaliadas de maneira quantitativa.

Anthony, reconhecendo que nem ele nem Atkinson são linguistas, disse que as palavras cognatas são apenas um dos ingredientes da reconstrução das árvores linguísticas, e que as mudanças gramaticais e fonológicas também deveriam ser consideradas. A simulação de Atkinson é "incompleta", por isso não é de estranhar que a árvore que ela produz contenha agrupamentos de línguas que não poderiam sobreviver caso incluíssemos mudanças na morfologia e no som", disse Anthony.

Atkinson respondeu que ele de fato rodou a simulação computacional em uma árvore baseada em gramática construída por Don Ringe, um especialista em indo-europeu da Universidade da Pensilvânia, mas o resultado apontou mais uma vez para a Anatólia, e não para a Estepe Pôntica.

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