27 de Maio de 2012
Porta-voz do regime líbio diz que ditador é essencial para a transição à democracia
O regime líbio afirmou nesta segunda-feira (4) que aceita negociar uma ampla reforma política, incluindo eleições ou um referendo. Mas a proposta tem um porém: a permanência do ditador Muammar Gaddafi no poder.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do governo, Mussa Ibrahim.
- A maneira como a Líbia é governada é um tema à parte. Que sistema político vamos aplicar neste país? Isso é negociável, podemos conversar, é possível fazer tudo, eleições, referendo e etc.
O porta-voz precisou que "o líder [Gaddafi] é a válvula de segurança para o país e para a unidade da população e das tribos”.
- Pensamos que ele é muito importante para qualquer transição a um modelo democrático e transparente.
Líbios fogem de barco e relatam "inferno" em Misrata
Rebeldes feridos, socorridos por um barco humanitário da Turquia, relatam um “inferno” promovido pelas forças de Gaddafi, na cidade de Misrata.
Os militantes afirmam que as forças de Gaddafi usaram tanques e atiradores contra os moradores, infestando as ruas com corpos e enchendo os hospitais de feridos.A MSF (Médicos sem Fronteiras) afirma ter removido 71 feridos nos confrontos em Misrata. Eles chegaram de barco nesta segunda-feira a Sfax, e os pacientes foram transferidos a hospitais.
Segundo o MSF, o hospital local foi alvo de um bombardeio na manhã deste domingo (3). E as clinicas que estavam em funcionamento ficaram sobrecarregadas com pacientes gravemente feridos. Os estoques de remédio nesses locais está diminuindo.
Gaddafi reaparece em público
Gaddafi fez uma aparição pública na noite desta segunda-feira, em Trípoli, para saudar alguns partidários, segundo as imagens divulgadas pela televisão oficial líbia.
Gaddafi cumprimentou os partidários com uma mão levantada, fazendo o V de vitória. Os manifestantes exibiam imagens do ditador e emblemas verdes, cor símbolo do regime líbio.
Esta foi a primeira vez em duas semanas que Gaddafi apareceu em público. Em sua ultima mensagem, uma declaração à agência oficial Jana, em 30 de março, Gaddafi advertiu aos países aliados que a situação na Líbia poderia "escapar de suas mãos" e os acusou de lançar uma guerra de cruzadas no Mediterrâneo.
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