23.11.2009/AFPO presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao centro, recebeu afagos de Lula e um cutucão no Congresso Nacional; posições polêmicas do presidente provocaram protestos no país
27 de Maio de 2012
Presidente do Irã defende programa nuclear e quer a independência para os palestinos
Ahmadinejad defende programa nuclear
O presidente do Irã defendeu o programa nuclear que, diz, tem objetivos pacíficos. O país se negou, na última semana, a aceitar um acordo com as potências ocidentais, que não querem que os iranianos façam o enriqueciemento de urânio (o combustível nuclear) em seu próprio país. A proposta é que o Irã terceirize o enriquecimento do urânio.
- Achamos que é um direito do povo brasileiro aproveitar a energia nuclear para fins pacíficos. Por isso também é um direito do povo iraniano.
Mais cedo, no Itamaraty, Lula já havia dado apoio às ambições do Irã em ter um programa nuclear.
Irã quer independência palestina
A questão palestina dominou boa parte da entrevista coletiva de Ahmadinejad. O presidente negou que financie armas para o movimento radical Hamas (que Israel e EUA consideram um grupo terrorista), mas disse ter boas relações com o grupo:
- De forma geral defendemos o povo palestino e outras nações injustiçadas. Temos relações com Abbas e com o Hamas.
Ahmadinejad disse que em 70 anos a questão palestina nunca foi solucionada, apesar de "dezenas" de planos de paz apresentados por vários países.
- Achamos que a solução da Palestina precisa de uma visão justa e um tratamento pela raiz. Nossa proposta é que o povo palestino por um referendo defina seu destino. Matar crianças e mulheres não resolve. Consenso entre políticos também não resolve.
Questionado pelos jornalistas se o Irã iria reconhecer Israel (com quem os iranianos não têm relações diplomáticas) caso se consiga chegar a um Estado palestino independente, Ahmadinejad desconversou e não respondeu à pergunta.
Questão doméstica
Reeleito presidente em uma eleição turbulenta em junho deste ano, envolta em suspeitas de fraude, que provocaram manifestações inéditas no regime islâmico, Ahmadinejad negou que sua visita ao Brasil seja uma forma de conseguir legitimidade:
- O que significa legitimidade? O governo iraniano é muito legítimo. O presidente foi eleito com votação muito alta. Essa é uma visão incorreta.
Durante as manifestações, o regime islâmico proibiu a cobertura da imprensa internacional, mas as imagens da violência na repressão aos protestos ganharam o mundo através da internet.
Ao fim, Ahmadinejad agradeceu a hospitalidade brasileira e disse que Irã e Brasil são países amigos.
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