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publicado em 28/04/2011 às 05h55:

Ainda popular, família real britânica
não tem poderes políticos

Por séculos, a monarquia se manteve estável e é símbolo da identidade nacional

Amanda Polato, do R7

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Em pleno século 21, uma instituição secular como a monarquia britânica continua com a popularidade em alta – dentro e fora do país. Na próxima semana, o casamento do Príncipe William, segundo na sucessão da Coroa, com a plebeia Kate Middleton, deve ser visto por 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Por séculos, a realeza mantém seu lugar de honra no Reino Unido. Mas, poder e influência na condução do país ela já não tem.

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Pedro Paulo Funari, professor de história da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), explica que a rainha Elizabeth 2ª participa de cerimônias e representa o Reino Unido mundo afora.

- As funções da rainha são muito decorativas, de abrir o Parlamento, aceitar a demissão do Primeiro-Ministro e nomear um novo. Ela não tem o poder de se contrapor ao Parlamento e dizer 'não vou assinar [essa lei]', isso não entra em discussão. Institucionalmente, ela não tem apoio nenhum.

Pela Constituição, a rainha Elizabeth 2ª é a chefe de Estado, mas não tem papel político ou Executivo. Quem manda mesmo é o Primeiro-Ministro (atualmente David Cameron), que é indicado pelo partido ou coligação com maioria no Parlamento.

Se tem pouco poder, porque a monarquia continua existindo? Funari diz que esse sistema de governo foi poucas vezes desafiado. Ele resistiu a um golpe e à influência da Revolução Francesa, em 1789 (século 18), que criou as bases dos regimes contemporâneos, as repúblicas.

Na Inglaterra, a monarquia foi absolutista até durante a época moderna, nos séculos 16 e 17. Apesar da existência do Parlamento, os monarcas tinham o poder em suas mãos. A partir do ano de 1642, um grupo liderado pelo puritano Oliver Cromwell tentou transformar o país (de maioria anglicana) em uma República e tirar o então rei, Carlos 1º, do trono. O soberano foi preso e decapitado em 1649, quando Cromwell, que tinha apoio do Exército, se impôs sobre o Parlamento e o Executivo. O movimento republicano não tinha tanta força e acabou derrotado. A monarquia absolutista foi então restaurada.

A Revolução Gloriosa, em 1688, serviu para tirar poderes das mãos dos reis, mas a realeza foi preservada. Funari conta que, “à exceção desse pequeno período do Cromwell, da Revolução Inglesa, nunca houve movimentos republicanos na Inglaterra, porque o Parlamento foi fortalecido, e foi bem representado pelo Primeiro-Ministro”.

- Nunca houve uma contestação muito forte à monarquia. É um regime muito estável. Desde a Revolução Gloriosa, não houve golpes de Estado.

Estevão Martins, professor de história da UnB (Universidade de Brasília), lembra que a rainha Vitória (1819 – 1901) teve um papel importante na consolidação da monarquia na era contemporânea.

- Desde o começo do século 19, a Casa Real acabou recuando em tentar interferir na gestão política do Estado. Com isso, ganhou prestígio, porque ela não se desgasta com os problemas da política.

O historiador explica que a rainha Vitória reinou por mais de 60 anos e consolidou a prática de deixar a decisão política nas mãos dos eleitos pela vontade popular, consagrando assim o princípio democrático.

- Esse princípio foi atribuído à generosidade da Casa Real. A rainha é idolatrada pela tradição britânica.

Além disso, a família real, não só na Inglaterra, como em toda Europa, tem uma função simbólica, diz Martins.

- As monarquias hoje são representações simbólicas da unidade nacional, identificadas com a Casa Real, o que garante uma espécie de solidariedade coletiva. A grande maioria dos britânicos tem orgulho de ser representado politicamente pela Casa Real de Windsor.

Uma pesquisa feita pela organização YouGov, de 2010, revela que 68% dos britânicos preferem manter o monarca e apenas 16% querem que o país se torne uma república. Apesar do interesse na manutenção da realeza, o professor da Unicamp, Pedro Paulo Funari, lembra que há altos e baixos na popularidade. Escândalos, por exemplo, ajudam a prejudicar a credibilidade da realeza. Um exemplo é o episódio em que o Príncipe Harry foi flagrado com roupa de nazista em uma festa a fantasia.

Eventualmente, os gastos da Coroa também provocam preocupações entre os britânicos, mas, segundo Funari, eles sabem que, se tivessem um Presidente da República, também teriam de gastar milhões com viagens e cerimônias. De acordo com relatório financeiro de 2009-2010, a Coroa custa ao Reino Unido pouco mais de R$ 98 milhões (38 milhões de libras) por ano.

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