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27 de Maio de 2012

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publicado em 24/02/2012 às 05h30:

Atiradores de elite do exército sírio
estão alvejando crianças, diz ONU

Diante da violência, aumenta a pressão sobre o governo de Bashar Al Assad

Do R7, com agências internacionais


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A acusação formal da ONU sobre os diversos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo sírio nos conflitos com seus compatriotas opositores, inclui a utilização de atirados de elite para intimidar a população nas cidades em que se concentram a maior parte dos oponentes a Bashar Al Assad, presidente do país. Estes soldados de elite, entre outras denúncias do relatório da organização, estão alvejando indiscriminadamente a população civil de cidades como Homs, um dos centros da resistência antigoverno.

Nesta sexta-feira (24), o grupo dos países “Amigos da Síria” - formado por mais de 70 nações que incluem EUA, Brasil, França, Turquia e países do golfo pérsico - se reunirá em Túnis, capital da Tunísia, sobre a sombra do relatório humanitário da ONU divulgado recentemente, e da morte de dois jornalistas estrangeiros ocorrida nesta quarta-feira (22) em Homs.

Tanques e forças de Assad retomam bombardeio a Homs

Crimes contra a humanidade

No relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, investigadores disseram que as forças sírias mataram mulheres e crianças desarmadas, bombardearam áreas residenciais e torturaram manifestantes feridos em um hospital, cumprindo ordens dos "mais altos escalões" do Exército e do governo.

ONU acusa autoridades sírias de crime contra a humanidade

No texto do documento, os investigadores pediram ainda que os autores desses crimes contra a humanidade sejam processados e disseram que uma lista de autoridades e comandantes supostamente responsáveis foi preparada e poderá ser utilizada futuramente.

Amigos da Síria

A reunião do grupo de Amigos da Síria deve solicitar que as forças de Assad suspendam os ataques para permitir que entidades humanitárias estrangeiras cheguem às áreas mais afetadas pela violência, onde há escassez de alimentos e remédios, segundo declaração preliminar obtida pela Reuters. 

O texto também deve reconhecer o “Conselho Nacional Sírio como representante legítimo dos sírios em busca de uma mudança democrática pacífica".

A Rússia e a China, que recentemente vetaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria, não deverão comparecer ao encontro do grupo.

Assad convocou para domingo (26) um referendo sobre uma nova Constituição, a ser seguido por uma eleição parlamentar multipartidária, no que ele diz ser uma resposta aos pedidos por reformas. Esta medida foi apoiada pelos parceiros russos e chineses que veem na iniciativa uma alternativa à intervenção militar estrangeira no país.

Enviado especial

O ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan surgiu como candidato para ser o enviado especial da ONU e da Liga Árabe na Síria, informaram nesta quinta-feira (23) fontes diplomáticas.

Annan, principal responsável das Nações Unidas entre 1997 e 2006, é o nome favorito ao cargo, pois deve contar com o respaldo do atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o da Liga Árabe, Nabil al Arabi. As mesmas fontes garantiram à Agência Efe que o nome do eleito será revelado na sexta-feira durante a reunião dos Amigos da Síria

Jornalistas em Homs

Dois repórteres franceses, entre eles a jornalista ferida Edith Bouvier, pediram ajuda num vídeo, nesta quinta-feira (23), a partir da cidade destruída de Homs (centro da Síria). Eles querem que seja organizada o mais rápido possível uma retirada, defendida por Paris.

Jornalista francesa ferida na Síria pede ajuda para deixar país

Síria nega responsabilidade na morte de jornalistas

As notícias chegaram no dia seguinte à morte da americana Marie Colvin, repórter do Sunday Times, e do francês Rémi Ochlik, fotógrafo da agência IP3 Press, vítimas da destruição de uma casa, que havia sido transformada em centro de imprensa - um drama que o presidente francês Nicolas Sarkozy classificou "de assassinato".

No vídeo de 6 minutos e 30 segundos, postado no Youtube, Edith Bouvier, repórter do jornal francês Le Figaro, aparece calma e sorri várias vezes, acomodada no leito, protegida por um cobertor. A seu lado está o fotógrafo francês William Daniels, correspondente na Síria das revistas Figaro e Time, que não está ferido. Eles estão em Homs, cercada há 20 dias pelas forças do regime de Bashar Al Assad.

"Bom dia, sou Edith Bouvier, jornalista francesa (...) É quinta-feira, 23 de fevereiro, e são quase 15H00. Ficamos feridos num ataque, ontem, no qual Marie Colvin e Rémi Ochlik foram mortos", diz ela no início do vídeo.

"Meu fêmur está quebrado em duas partes. Preciso ser operada o mais rápido possível. Os médicos estão nos tratando muito bem, fazendo o que podem, mas não têm meios para realizar a cirurgia", explica.

"Precisamos de uma trégua imediatamente, de uma ambulância em bom estado, se possível, que me conduza até o Líbano para ser tratada logo", conclui.

William Daniels conta que os sírios "os levaram a um local um pouco mais distante do hospital porque este está sendo visado pelas bombas".

Diz também que está sendo "muito difícil e muito perigoso" comunicar-se com o exterior.

"Espero que as autoridades francesas possam nos ajudar rapidamente porque aqui tudo é difícil, não há eletricidade, não há nada para comer, as bombas continuam a cair", afirmou, ao mesmo tempo em que se ouve pelo menos duas explosões durante o vídeo.
O fotógrafo britânico Paul Conroy, também ferido na quarta-feira, não aparece.

"Pelo que sei, Paul Conroy partiu de Homs em direção a um país vizinho, para receber tratamento médico", declarou à AFP uma porta-voz do Foreign Office sem poder precisar se ele já tinha deixado ou não a cidade.

Paris e Londres tentam retirar os feridos e os corpos dos dois jornalistas mortos, que não se sabe onde estão.

Após ter pedido um "acesso seguro", o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse, durante uma viagem a Londres, ter "pedido a Damasco organizar a retirada" de Edith Bouvier.

Segundo o ministro sírio da Informação, Adnane Mahmoud, o governador de Homs está sendo contatado para tentar uma evacuação, mas, "por enquanto, não foi tomada uma medida concreta", comentou Juppé.

Militantes sírios disseram ter certeza que o centro de imprensa foi tomado como alvo "depois que as forças do regime captaram um sinal de transmissão" por satélite, enviado pelos repórteres.

 

 
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