23 de Fevereiro de 2012
Bombardeio contra ilha Yeongpyeong elevou tensões entre países da península coreana
Na última terça-feira (23), quando as Forças Armadas da Coreia do Norte lançaram um ataque de artilharia contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeong, o brasileiro Renato Maschetto de Sá, de 38 anos, estava no trabalho - como grande parte dos moradores de Seul, capital da Coreia do Sul.
Funcionário de uma multinacional do setor automotivo, Sá vive desde 2006 no país, com a mulher, Selma, de 40 anos, e a filha, Beatriz, que completa 2 anos em janeiro. Os brasileiros acompanharam de perto a repercussão do ataque norte-coreano, considerado um dos mais graves desde o armistício da Guerra da Coreia (1950-1953). O conflito tecnicamente não acabou, pois os países não assinaram um tratado de paz. Ao menos quatro pessoas morreram na ação.
De acordo com Sá, essa foi a primeira vez que ele viu sua equipe de funcionários "ligeiramente preocupada" com as ações norte-coreanas. Ao mesmo tempo, o brasileiro afirma que, apesar da preocupação internacional e dos "tambores de guerra" que soaram na região, o afundamento da corveta sul-coreana Cheonan, em março, parece ter sido um fato mais grave.
Sá falou ao R7 nos dias seguintes ao ataque. Leia a entrevista completa.
R7 - Como você ficou sabendo da troca de tiros na região?
Renato de Sá - Um dos meus funcionários veio me dizer que haviam disparado. Foi a primeira vez que vi meu time aqui ligeiramente preocupado. Mas alguns minutos depois, ninguém mais discutia o assunto.
R7 - Qual foi o clima nas ruas depois dos acontecimentos na fronteira?
Sá - A imprensa noticiou o ataque, mas o povo não reagiu de forma desesperada. Essas trocas de tiros são comuns, apesar de essa ter gerado vitimas. Todo ano há provocações, e o povo ignora. Dessa vez, prestaram um pouco mais de atenção, mas nada que tenha alterado a rotina das pessoas. A vida segue normal, especialmente em função de o caso ter ocorrido em uma ilha, e não em terra firme.
R7 - O foi diferente de outros incidentes violentos envolvendo os países?
Sá - Dizem que foi um dos mais significativos desde o final da Guerra da Coreia. Anteriormente, só se falava em provocações. Por ora, acho que o pior foi o do navio Cheonam, há alguns meses, quando mais de 40 pessoas morreram. Não se tem 100% de comprovação de que foi a Coreia do Norte que afundou o navio, apesar de evidências levarem a essa conclusão.
R7 - Há algum tipo de sentimento de retaliação nas ruas?
Sá - Não notei nada assim.
R7 - Vocês temem que esse tipo de incidente possa levar a um grande conflito?
Sá - Segundo os coreanos, a chance é mínima. Mas os direitistas acham que somente uma outra guerra pode unificar o país. Já os esquerdistas preferem uma solução mais pacífica, com acordos e tratados, que, por ora, não têm funcionado.

As principais tensões com a Coreia do Norte em 2010
| 23 de novembro | Tropas fazem disparos de artilharia contra ilha sul-coreana na região de fronteira do mar Amarelo. |
| 21 de novembro | Cientista americano diz ter visto, a convite do governo norte-coreano, uma nova usina de enriquecimento de urânio, com centenas de centrífugas já instaladas. |
| 11 de novembro | Em visita oficial à Coreia do Sul, presidente dos EUA, Barack Obama, diz que a postura do país vizinho o levará a apenas "mais isolamento e menos segurança" e reafirma apoio ao Sul |
| 29 de outubro | Militares norte-coreanos disparam contra tropas do Sul na Província fronteiriça de Gangwondo. |
| 29 de outubro | Coreia do Norte rompe diálogo com a ONU sobre afundamento de navio militar sul-coreano. |
| 24 de outubro | Governo afirma que seu arsenal nuclear é uma "preciosa espada". Analistas cogitam um terceiro teste atômico. |
| 10 de outubro | País realiza um dos maiores desfiles militares de sua história para apresentar Kim Jong-un, futuro sucessor do ditador Kim Jong-il. |
| 27 de setembro | Exército promove Kim Jong-un, filho do ditador Kim Jong-il, a general, em movimento que prepara sucessão. |
| 4 de agosto | Coreia do Norte instala mísseis terra-ar de longo alcance na zona da fronteira com a Coreia do Sul. |
| 26 de março | Afundamento de navio militar sul-coreano, atribuído a torpedo da Coreia do Norte, mata 46 marinheiros. |
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