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publicado em 21/12/2009 às 06h27:

Brasil de Lula se distancia dos Estados Unidos

Para especialistas, política externa brasileira não está alinhada com interesses americanos

Lucas Bessel, do R7

Brasil e Estados Unidos se distanciaram após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, disseram especialistas ouvidos pelo R7. Apesar do aparente bom relacionamento pessoal de Lula tanto com Barack Obama quanto com seu antecessor, George W. Bush, os últimos sete anos deixaram mais evidentes os atritos políticos e econômicos entre as duas maiores economias do continente.

Durante a cúpula do G20 em Londres, em abril, quando Obama disse que Lula era "o cara", a impressão era a de que 2010 seria um ano tranquilo para as relações entre os dois países. Mas questões como a crise política em Honduras, o programa nuclear iraniano e o uso de bases militares colombianas pelos americanos esquentaram o clima entre os países.

De acordo com os especialistas, os dois países estão hoje em pólos opostos da política internacional, com os Estados Unidos na condição de potência estabelecida e o Brasil no papel de líder entre os países emergentes, interessado em alterar o equilíbrio de poder no mundo.

Segundo Matias Spektor, coordenador do MBA em relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, a postura diplomática brasileira difere da de outros países emergentes:

- Entre os emergentes, o Brasil é aquele que com estratégia de política externa mais distante dos Estados Unidos. Mesmo nas áreas onde há convergência de interesses, os Estados Unidos são tão mais fortes, que um abraço americano poderia virar um abraço de urso.

A distância entre os dois países atingiu seu auge durante a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro. Enquanto os americanos pressionavam por sanções ao país islâmico por seu suspeito programa nuclear, Lula recebia em Brasília o governante reeleito sob suspeita de fraudes e que prega a destruição do Estado de Israel.

Apesar de os governos de Brasil e EUA negarem, a visita causou mal-estar, a ponto de a secretária de Estado, Hillary Clinton, dar a seguinte declaração:

- As pessoas que quiserem flertar com o Irã deveriam ver quais podem ser as consequências e esperamos que pensem duas vezes.

Para Aldo Musacchio, professor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Harvard, a visita de Ahmadinejad deixou os americanos preocupados:

- Após a visita do Ahmadinejad, os Estados Unidos perceberam que não poderiam confiar tanto assim no Brasil. A política não alinhada ficou ainda mais evidente. 

Crise em Honduras também afetou relações

A recente crise após o golpe de Estado em Honduras também ajudou a aumentar o fosso nas relações entre os dois países.

O Brasil, que condenou o golpe desde o início, exigiu a volta de Manuel Zelaya ao poder e não reconheceu as eleições de 29 de novembro. Já os Estados Unidos costuraram um acordo que não foi totalmente cumprido entre golpistas e o presidente deposto e reconheceram a votação. Isso levou o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, a se dizer "decepcionado" com Barack Obama.

Entretanto, em 14 de novembro, após reunião com o subsecretário de Estado americano para América Latina, Arturo Valenzuela, Garcia afirmou que as relações entre Estados Unidos e Brasil “são fundamentais e serão cultivadas da melhor maneira possível”.

Valenzuela veio ao país para acertar os ponteiros sobre questões como Irã e Honduras, mas também nessa ocasião houve um mal-estar: ele não foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que alegou ter a obrigação de receber apenas sua chefe, Hillary Clinton.

Apesar disso, Musacchio diz acreditar que o Brasil está fazendo um “bom jogo diplomático”:

- O Brasil está conduzindo muito bem a estratégia de não ser alinhado com os americanos. Ele quer ser líder no mundo sem depender dos Estados Unidos.

Para Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Unesp, o ponto mais crítico nas relações entre os dois países é o comercial:

- As negociações da Rodada Doha estão travadas e não há perspectiva de melhorias. O Brasil líder o grupo dos países insatisfeitos e os Estados Unidos lideram as nações que não estão dispostas derrubar as barreiras comerciais.

Os especialistas concordam, entretanto, que o tom cordial no diálogo entre as duas nações deve se manter ou até melhorar. Eles dizem que o presidente americano, Barack Obama, tem se mostrado mais aberto ao diálogo do que seu antecessor, George W. Bush.

Arte Brasil EUA

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