27 de Maio de 2012
Efraim Zuroff diz que talvez seja o “único judeu que reza pela saúde de nazistas”
O historiador americano Efraim Zuroff há mais de 30 anos tem uma atividade singular: ele caça nazistas pelo mundo. No entanto, mesmos os nazistas muito jovens que atuaram durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) já estão no mínimo com os seus 80 anos. Hoje, além deste grupo, Zuroff conta que oferece consultoria e ajuda em outro tipo de caso.
No entanto, para ele não há um limite de idade para perseguir aqueles que realizaram crimes contra a humanidade.
- A idade deles não é relevante. Eles são tão culpados hoje como quando cometeram seus crimes e as vítimas merecem que os assassinos sejam trazidos à Justiça.
Zuroff também afirmou que raramente os nazistas, mesmo após tanto tempo, demonstram alguma espécie de remorso pelos crimes que cometeram. Durante o Holocausto, assassinato em massa de judeus e outras minorias durante a Segunda Guerra Mundial perpetrado pelos nazistas, crianças, mulheres e até mesmo vilas inteiras morreram em campos de concentração e fora deles.
As buscas de Zuroff levam anos e muitas vezes ele apenas encontra o alvo, quando o criminoso já está morto ou doente. Por isso, ele brinca com o fato.
- Talvez eu seja o único judeu do mundo que reze pela boa saúde dos nazistas. É bom que eles estejam saudáveis e vivos para serem julgados.
Ele ainda não descarta que o Brasil ainda abrigue nazistas.
- É possível, mas no momento, não há casos ativos. Se o governo fizer uma investigação séria, é bem provável que poderemos encontrar alguns.
Criminosos de guerra, neonazistas e jihadistas são novo alvo
Ele também destaca que mesmo após o fim dos últimos nazistas, ainda terá trabalho. Um dos exemplos é um trabalho de consultoria que fez a algum tempo. Ele foi consultado pelo jovem governo de Ruanda sobre como proceder para encontrar os criminosos de guerra do massacre.
Em 1994, líderes hutus conseguiram mobilizar o grupo étnico contra os tutsis e 800 mil pessoas foram mortas em poucos dias sem intervenção da comunidade internacional. O massacre inspirou obras como o filme Hotel Ruanda (2004).
Zuroff aponta outros herdeiros do nazismo e cita os neonazistas e islâmicos radicais.
A reportagem do R7 entrou em contato com Zuroff duas vezes, quando ele esteve em São Paulo para divulgar o seu trabalho no Sesc Pompeia em junho, e por e-mail.
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