10.mar.2010/Martin Bernetti/AFPSebastián Piñera em partida de futebol com o presidente da Bolívia, Evo Morales, um dia antes do novo jogo político no Chile começar de fato
8 de Fevereiro de 2012
Ricardo Nuñez, do Partido Comunista, comenta futuro da Concertação
Após 20 anos no poder, a Concertação, coalizão de partidos de esquerda que governa o Chile desde sua redemocratização, passa o comando do país para a direita. O conservador Sebastián Piñera, da Aliança, assume a Presidência do país nesta quinta-feira (11).
A posse, simplificada e modificada devido ao terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o país no último dia 27, não contará com a presença do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, substituído pelo assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Para o senador chileno Ricardo Nuñez Muñoz, do Partido Socialista, o Chile enfrenta dois abalos atualmente:
- Chile vive dois terremotos, um político, e este outro, o físico. Quando se nasce chileno se sabe que tem uma vida sujeita a desastres naturais, a terremotos, tsunamis, avalanches, deslizamentos, enchentes...
Nuñez, um experiente político chileno, disse que a vitória dos direitistas é mais algo que se deveu aos erros da esquerda do que às virtudes dos conservadores em si. Agora, chegou finalmente a hora de a Concertação se ver do outro lado do jogo, em um momento no qual o país começa uma reconstrução que deve ocupar os três anos iniciais do governo Piñera:
- Vamos apoiar uma reconstrução que leve em conta temas sociais, se o governo de Piñera não fizer propostas que tenham esse sentido de futuro e social, vamos nos opor. Temos de fazer uma reconstrução vigilante. A reconstrução tem de ter o sentido de futuro, temos de fazer novas áreas antissísmicas, mais áreas verdes, mais hospitais.
Nuñez, de 70 anos, foi eleito senador pela primeira vez em 1989. Ex-presidente do Partido Socialista do Chile, no qual ingressou em 1955, ele teve de se exilar durante a ditadura de Augusto Pinochet (1915-2006). O político assinou o acordo que instituiu a Concertação de Partidos para a Democracia em 1988.
Senador contesta críticas da oposição ao governo
Para Nuñez, Piñera e opositores da presidente Michelle Bachelet fizeram “críticas absurdas” sobre a atuação do governo logo após o terremoto.
- Não adiantaria decretar estado de sítio imediatamente após o terremoto porque falharam os sistemas de comunicação, as vias estavam obstruídas e o estado de emergência foi decreto logo após o sismo. Ou seja, o estado de sítio não teria tido um efeito maior. Estas críticas de Piñera são absurdas porque são eles que terão de evocar a união para a reconstrução.
Piñera, que assume com apoio de 59% dos chilenos, ainda está distante das cifras de popularidade de Bachelet. Mesmo com o terremoto, o apoio à presidente é de 84% e 75% dos chilenos apoiaram a condução dela durante a tragédia.
O senador confirma que a figura de Bachelet não sofreu abalos devido ao evento natural:
- Todo mundo a viu chegar poucos minutos depois, sua capacidade de conduzir nestes dias, e ela também mostrou sua face humana.
No entanto, Nuñez não se mostra particularmente otimista em relação aos respingos da catástrofe sobre o tsunami, que até mesmo levou a uma demissão no país:
- Isso sim, é possível que nos afete [em referência à Concertação].
Quanto à ausência do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na posse de Sebastián Piñera, o chileno não se mostrou incomodado:
- Não, não, Lula se mostrou solidário desde o princípio com os irmãos da América Latina.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7