27 de Maio de 2012
País se esforça para ajudar trabalhadores a suportar até quatro meses sob a terra
Um mês depois do desabamento de uma mina de ouro e cobre no norte do país, o Chile tenta manter elevado o moral dos 33 trabalhadores que ficaram presos no local. O bom estado de espírito dos mineiros será fundamental para que eles possam suportar os três ou quatro meses que ainda devem passar isolados do mundo, a 700 m de profundidade. Esse é o tempo estimado para a conclusão de um túnel que está sendo escavado para trazê-los de volta à superfície.
Os mineiros estão presos no interior da mina San José, em Copiapó (800 km ao norte da capital, Santiago), desde o último dia 5 de agosto. Só foram encontrados 17 dias depois, quando uma sonda chegou ao interior da mina. E o fato de que todos os 33 estavam vivos foi recebido como um milagre.
Desde então, quase tudo foi feito no esforço para animar o grupo. Na superfície, grupos folclóricos fazem shows de música e dança e religiosos tentam levar apoio às famílias, que se ajuntam no acampamento apelidado de "Esperança".
Neste sábado, sobreviventes do desastre aéreo de 1972, que ficou conhecido como a tragédia dos Andes, estiveram no local. Os membros da equipe uruguaia de Rúgbi, que naquele ano tiveram de comer a carne de outros passageiros mortos para sobreviver ao frio da montanha, foram pedir aos mineiros que resistissem.
Agora, a Nasa, agência espacial americana, estuda a possibilidade de fazer um contato entre os trabalhadores presos e os astronautas da Estação Espacial Internacional.
No último dia 25, o presidente Sebastián Piñera também falou com o grupo ao telefone, desde o palácio presidencial de La Moneda. Piñera disse ao chefe de turno e líder do grupo, Luis Urzúa, que "correram lágrimas de alegria e de emoção em todos os lares" do país, numa tentativa de fazê-los sentir-se queridos.
Exercícios, música e dominó para distrair
Os mineiros, que em filmagens recentes parecem bem mais saudáveis e animados do que quando foram encontrados, tentam se distrair jogando dominó, mantendo uma rotina mínima de tarefas e afazeres "domésticos" e fazendo exercícios físicos.
Eles também pediram que lhes fossem enviados aparelhos de mp3 para que pudessem ouvir música, o que foi prontamente atendido.
Na última sexta-feira, um grupo de especialistas da Nasa entregou um relatório com recomendações sobre como sustentar o grupo durante os próximos três ou quatro meses, tempo estimado para que o resgate aconteça.
Michael Duncan, chefe da equipe e médico do Centro Espacial Johnson, disse que o caso não tem precedentes, pela profundidade em que os trabalhadores se encontram e pelo tempo que eles terão de aguentar embaixo da terra. Segundo ele, o caso dos mineiros chilenos está ajudando a Nasa a “escrever um livro” sobre esse tipo de resgate.
- Fizemos um grande número de comparações com o ambiente que os astronautas enfrentam, incluindo a questão da vitamina D, já que ambos não recebem luz solar [...] e recomendamos a ingestão adequada de suplemento de vitamina D.
Nasa recomenda mudanças na iluminação
Duncan recomendou mudanças nas condições de iluminação no interior da mina, para que exista um ambiente de dia e noite no local. Assim, segundo ele, fica mais fácil estabelecer uma rotina de trabalho, organização e lazer, o que também ajuda a manter a saúde dos 33 homens.
Os cientistas da Nasa também opinaram sobre o desenho da cápsula que será enviada para o resgate.
- Como isto não tem precedentes, não há um veículo disponível e precisamos criar algo adaptado às circunstâncias, com limitação de tamanho devido ao diâmetro da chaminé de resgate [70 cm].
A cápsula já está sendo criada nos estaleiros da Marinha do Chile e deve carregar tubos de oxigênio, lâmpadas e uma câmera de vídeo. Também haverá um dispositivo de fuga, caso o equipamento fique bloqueado, para que o mineiro possa voltar ao fundo da mina.
O viagem da cápsula com cada mineiro deverá durar cerca de uma hora, por 700 m da chaminé aberta na mina San José, no meio do deserto de Atacama.
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