R7 - Notícias

Buscar no site
Eu quero um e-mail @R7
Esqueci minha senha

27 de Maio de 2016

Você está aqui: Página Inicial/Notícias/Internacional/Notícias

Icone de Internacional Internacional

 

publicado em 05/09/2011 às 07h43:

Crise econômica abriu espaço para
Brasil e China no jogo de poder mundial

EUA perdem espaço e veem, com freio de mão puxado, avanço dos emergentes

Marcel Gugoni, do R7

Publicidade

Quando a crise financeira mundial estourou em 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ela chegaria ao Brasil como uma “marolinha”. A definição, vista na época com desconfiança por grande parte dos brasileiros, se confirmou e inseriu o país em um cenário completamente novo: de sobrevivência em meio à desaceleração global.

Guerra ao terror levou à pior crise desde 1929

Os Estados Unidos vêm perdendo espaço e assistem, com o freio de mão econômico puxado, à subida de novos competidores ao tabuleiro das potências mundiais.

Em 2001, os EUA eram a grande potência incontestável, sem rivais à altura desde a quebra da União Soviética (1991). O baque político dos ataques às torres do World Trade Center e ao Pentágono, que deixaram ao menos 3.000 mortos, reflete no âmbito econômico à medida que significaram um esforço de guerra que endividou o país e desatou a crise no final da década.

O economista Paul Singer, secretário nacional da economia solidária do governo Dilma Rousseff e professor da FEA (Faculdade de Economia e Administração), da USP (Universidade de São Paulo), diz que o Brasil é um desses novos jogadores, que crescem desde o começo da década passada apostando em uma política de consumo interno e de exportações de matérias-primas para os motores do mundo.

- O Brasil escapou da crise de 2008, superada em grande parte em 2009 e 2010 por causa do mercado interno, com o consumo dos brasileiros puxando a economia. Houve também exportação em grande escala de alimentos e matérias-primas, como soja e ferro, para a China e para a Índia, as locomotivas que puxam todos os países hoje.

Diferença de prioridades

Evaldo Alves, professor de economia internacional da FGV (Fundação Getulio Vargas), explica que, enquanto os EUA estavam completamente focados em combater o terror, os Brics (grupo que reúne as principais economias emergentes do mundo, Brasil, Rússia, Índia e China, com a África do Sul chegando perto) se preocupavam com suas próprias economias e em melhorar as relações entre si.

- Os países estão elevando suas parcerias. Esse tem sido um dos remédios para que eles não sofram com a crise do chamado mundo desenvolvido. Não sem razão as parcerias de Brasil com China, Rússia e Índia crescem.

O historiador Melvyn P. Leffler, da Universidade da Virginia, afirmou em um artigo publicado na revista Foreign Affairs deste mês que o endividamento com as guerras minou a economia americana como um todo. O Serviço de Pesquisa do Congresso estima que as duas frentes de batalha, no Iraque e no Afeganistão, já custaram R$ 2,1 trilhões (US$ 1,3 trilhão) até agora.

- Parece claro hoje que muitas das iniciativas da política externa [do governo de George W. Bush], somadas às medidas de cortes de impostos e a inabilidade de realizar sacrifícios domésticos, minaram a maior parte das medidas que visavam a alcançar. A liderança dos EUA foi erodida pelas dívidas crescentes, resultado da diminuição de taxas [para os ricos] e do aumento dos gastos domésticos.

Dominação americana continua

Eric Hobsbawm, que em seus 95 anos de vida viu grande parte das mudanças políticas e econômicas do século 20, diz que a dominação americana da economia mundial não pode se sustentar com o tamanho das dívidas que o país tem. Em um artigo do livro Globalização, democracia e terrorismo (Companhia das Letras, 2007, R$ 40,50), o historiador escreve que, apesar disso, os EUA não devem perder sua posição de liderança no aspecto cultural e político do mundo tão cedo.

- Queiramos ou não, eles continuarão a ser uma superpotência, na verdade uma potência imperial, mesmo em uma era que indica seu evidente declínio econômico relativo. Mas o mundo é demasiado complexo para que um único país possa dominá-lo. E, com exceção da sua superioridade militar em armamentos de alta tecnologia, os EUA contam com trunfos decrescentes. Sua economia, embora grande, representa uma proporção decrescente da economia global e é vulnerável tanto no curto quanto no longo prazo.

gráfico

Alves, da FGV, diz que tanto a Europa – com os Pigs, grupo de países com graves endividamentos formado por Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (o “s” da sigla) – quanto os EUA devem resolver seus problemas internos de déficit público, desemprego e baixa produção.

- Eles gastam mais do que arrecadam. Os desenvolvidos estão em uma crise que pode durar mais uns dez anos. Já os emergentes estão crescendo porque sabem, por sua história, como lidar com suas dívidas.

Singer afirma que a crise de 2008 estourou nos EUA por causa dos bancos, que emprestaram dinheiro aos consumidores para comprar a casa e começaram a tomar calote. Quando o primeiro deles quebrou (o Lehman Brothers, em setembro daquele ano), seguradoras, financeiras e outros conglomerados bancários mundiais também sentiram o choque.

Para evitar uma hecatombe mundial, os governos injetaram dinheiro em suas próprias economias. Nos EUA, tanto Bush quanto Obama, depois que assumiu em 2009, aprovaram pacotes de ajuda do governo às empresas privadas, principalmente os bancos - os mesmos que levara o país à crise. Na Europa, ocorreu o mesmo.

- A nova crise ainda não existe, está no horizonte, ela pode vir ou não. Mas ela foi, sim, provocada pela de 2008. Os bancos estão forçando os países a crescer menos, principalmente os ricos. Isso é contrabalanceado pelos Brics e outros países, que crescem com vigor.

Funciona assim: grandes bancos financiaram a saída da crise em 2009 e 2010, quando os governos injetaram recursos públicos em suas economias, comprando títulos públicos. Os países lançaram esses títulos para ter dinheiro no Tesouro para emprestar para outras empresas em crise, diz Singer.

- Mas agora esses gigantes financeiros acham que os países podem dar calote nestes títulos e resolveram vendê-los para escapar do risco. Como vendem com preços muito baixos, os governos acabam sofrendo com falta de credibilidade. Imagine que você emprestou dinheiro a alguém e ele perdeu emprego. E aí você pede o título de volta. Sem emprego, ele não tem como pagar e recorre a outras formas baratas para pagar e você não quer o calote.

Os economistas são unânimes em dizer que o Brasil deve escapar novamente de uma eventual crise, porque usou ferramentas para incentivar o mercado interno. O mesmo faz a China, que prevê continuar levando o mundo nas costas. Alves resume bem o novo cenário multipolar que se desenhou desde a queda dos EUA: “O século 21 é dos emergentes”.


Veja Relacionados:  11 de Setembro
11 de Setembro 
 
Espalhe por aí:
  • RSS
  • Flickr
  • Delicious
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google
 
 
 
 

Fechar
Comunicar Erro

Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.

Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7
Mensagem enviada com Sucesso!Erro ao enviar mensagem, tente novamente!

 

 


Shopping