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publicado em 09/06/2010 às 17h58: atualizado em: 09/06/2010 às 13h26

Deputado da oposição diz que
Amorim deu tiro no pé ao apoiar Irã

Ministro responde Jungmann (PPS) e diz que se houve tiro em algum pé, no dele "não doeu"

Maurício Moraes, do R7, e Priscilla Mendes, do R7 em Brasília

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), membro da oposição na Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal, fez fortes críticas ao voto contrário do Brasil à aplicação de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, nesta quarta-feira (9).

Jungmann disse ao R7 que o país pode ficar isolado e que o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim deu um “tiro no pé” ao apoiar o programa nuclear do Irã, um país que “viola os direitos humanos e que quer desenvolver uma bomba atômica”, segundo ele.

Durante entrevista à imprensa, Amorim respondeu às críticas de Jungmann feitas em declarações ao R7.

- Sinceramente não me preocupo. Se foi no pé de alguém, não foi no nosso. Pelo menos no meu não doeu.

Numa atitude poucas vezes vista na história da diplomacia brasileira, o Brasil votou contra a aplicação de sanções no Conselho de Segurança, ao lado da Turquia.

Os dois países (membros rotativos do conselho) assinaram um acordo com o Irã no último dia 17 de maio, sobre a troca de combustível nuclear – que acabou sendo ignorado pelas potências que são membros permanentes do conselho (EUA, Reino Unido, França, China e Rússia).

Jungmann disse que o Brasil está “absolutamente isolado [por votar contra] ao lado de um país que desrespeita o Conselho de Segurança” e que “isso é absolutamente contrário aos interesses nacionais”.

Amorim contestou o deputado.

- O Brasil não estava absolutamente isolado. Nós estávamos em excelente companhia [da Turquia], a maior democracia islâmica, um país membro da Otan [aliança militar do Ocidente] e portanto insuspeito na sua visão de mundo, que quer ser membro da União Europeia.

Se o Irã explodir bomba o mundo vai culpar o Brasil, diz deputado

Um dos maiores críticos da política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jungmann disse que “diferente da Turquia, o Brasil não tem grandes interesses, não tem fronteira, nem alto fluxo de comércio com o Irã”.

- Amanhã, se o Irã vier a explodir uma bomba atômica o mundo vai olhar para o Brasil e vai dizer: 'veja, vocês ajudaram eles, vocês deram tempo para eles'.

Segundo o deputado, o Itamaraty, chefiado pelo ministro Amorim, “deu e vem dando tiro no pé, e não só no caso do Irã”.

- No caso de Honduras o Brasil virou procurador dos interesses do [Manuel] Zelaya [presidente deposto]. No caso de Cuba, dá apoio a um país que desrespeita direitos humanos.

Jungmann diz que com Serra seria diferente
 
Questionado se a política externa seria diferente num eventual governo José Serra (PSDB), candidato a quem o PPS de Jungmann apoia na corrida presidencial, o deputado da oposição disse que sim.
 
- Sem qualquer sombra de dúvida ela teria de ser modificada. Não tem de ficar discutindo a carta do [presidente dos EUA] Barack Obama ou que o governo quer promover a paz. A paz a gente promove 24 horas por dia.

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