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23 de Fevereiro de 2012

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publicado em 25/01/2012 às 10h42:

Egípcios comemoram um ano do
início da Primavera Árabe no país

Manifestantes ainda pedem eleições democráticas e fim do governo militar

Do R7, em Brasília


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A embaixada do Egito no Brasil comemora, nesta quarta-feira (25), um ano do levante popular que culminou com a deposição de Hosni Mubarak da presidência. A data também pode marcar uma mudança importante na condução política do país. Pela primeira vez em 30 anos, o estado de emergência imposto após a morte do ex-presidente Anwar al-Sadat, em 1981, poderá ser suspenso.
 
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A promessa foi feita pelo marechal Hussein Tantawi, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, que governa o país. O fim da lei, que limita a liberdade dos egípcios e permite julgamentos em tribunais de exceção, era uma das principais reivindicações dos ativistas da Primavera Árabe. Ainda assim, passado um ano, eles não comemoram.

Os manifestantes veem a revogação do estado de emergência como uma estratégia dos militares para aplacar os protestos, que devem voltar a ocupar hoje a praça Tahir, no centro da capital Cairo.

Na sexta-feira (20), milhares de egípcios estiveram no local para homenagear os manifestantes mortos e pressionar a junta militar que governo o Egito. Os ativistas afirmam que os generais que tomaram o poder após a queda de Mubarak continuaram as políticas do antigo regime.

Entre 25 de janeiro e 11 de fevereiro do ano passado, as forças de segurança do Egito mataram 846 manifestantes, segundo dados do governo. O número real, no entanto, pode ser bem maior, de acordo com organizações de direitos humanos.

Na segunda-feira (23), a Assembleia Popular do Egito, câmara baixa do Parlamento, realizou sua primeira sessão. Essa é a primeira assembleia eleita democraticamente após o governo de Mubarak, mas também é a primeira fundamentalmente islâmica.

A assembleia, eleita há duas semanas, é composta majoritariamente pelo Partido da Liberdade e da Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana. Com 235 das 498 vagas da nova câmara, o partido conseguiu eleger o presidente da assembleia, Saad al Katatni. O partido fundamentalista salafista Al Nur ficou na segunda posição, com 121 cadeiras.

No dia 29 de janeiro começará a eleição para o Senado. O futuro Parlamento terá que designar uma comissão encarregada de redigir a nova Constituição, que deve ser aprovada antes da eleição presidencial prevista para junho.

Hosni Mubarak renunciou ao poder em 11 de fevereiro de 2011, após 18 dias de protestos no país. Hoje, está internado em um hospital militar, nos arredores da capital egípcia, de onde sai apenas para as sessões no tribunal no qual é julgado por corrupção e pela morte dos manifestantes.

Primavera Árabe

No dia 18 de dezembro de 2010, a população de Sidi Buzi, na Tunísia, saiu às ruas para protestar em frente à prefeitura da cidade. No dia anterior, Mohammed Bouazizi, vendedor ambulante ilegal de 26 anos, ateou fogo em si mesmo após um policial confiscar suas mercadorias. Era o início da Primavera Árabe.

Os protestos de Sidi Buzi se espalharam para outras partes do país e encurralaram o presidente Zine Abidine Ben Ali. No poder há 23 anos, Ben Ali não resistiu e caiu. 

A revolta tunisiana, que começou em busca de melhores condições de vida em uma pequena cidade do interior, cruzou então a fronteira e chegou a Egito, Iêmen, Bahrein, Líbia, Síria, Marrocos e Argélia, abalando monarquias e ditaduras árabes.

A chamada Primavera Árabe levou a cenários mais violentos, como a guerra na Líbia e os confrontos na Tunísia, Síria e Egito, ou então a processos eleitorais, como no Marrocos e também na Tunísia e no Egito.

Quase um ano depois da revolução, os novos líderes árabes ainda não deixaram claro se adotarão um modelo político islâmico mais radical, como no Irã, ou então um modelo mais moderado, como o turco, que agrada aos líderes ocidentais.


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