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Guerra civil na Síria
Cobertura completa
publicado em 24/09/2012 às 06h00:

Empresários árabes e brasileiros usam Facebook para salvar sírios da guerra

Grupo independente em São Paulo ajuda refugiados a vir para o Brasil

Do R7*


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Mohammed desembarcou no Brasil em junho deste ano para começar uma nova vida. Sem falar português e deixando para trás a ex-mulher e dois filhos, ele chegou ao País com uma mala cheia de roupas, alguns objetos pessoais e um bocado de medo. Mohammed não veio a passeio, mas sim para não morrer em sua terra.

Ele é um dos refugiados sírios que vieram para o Brasil com o agravamento da guerra civil em seu país. Aos 53 anos, Mohammed resolveu atravessar meio mundo após ver sua casa destruída em Homs, sua cidade natal e uma das mais afetadas pelo conflito que já dura 18 meses.

Desde março de 2011, tropas do regime do ditador Bashar al Assad enfrentam uma revolta popular que, em poucos meses, se converteu em uma força armada rebelde que tenta derrubá-lo do poder. Mais de 25 mil pessoas já morreram, segundo opositores.

“Muitos sírios estão em situação irregular no Brasil”, diz grupo de apoio a refugiados

Hoje, Mohammed divide um apartamento pequeno alugado no Brás, no centro de São Paulo, com mais dois refugiados sírios. Os poucos objetos que eles conseguiram trazer se misturam com móveis improvisados e com a incerteza do futuro longe de casa.

E para fazer de São Paulo sua terra, refugiados sírios como Mohammed contam com o apoio de um grupo de empresários árabe-brasileiros da cidade que estão driblando a burocracia estatal para trazer para cá o maior número possível de sírios.

Fotos: Empresário abandona vida de luxo na Síria para vender quibe no Brasil

A Coordenação da Revolução Síria no Brasil, como o grupo se autodenomina, já retirou por conta própria nove pessoas do território sírio, entre homens, mulheres e crianças, alguns deles vítimas de tortura. Eles recebem ajuda com passagens, trâmites para o visto de refugiado e a recepção no Brasil.

Moradia e emprego em São Paulo

Quando não ajudam com a viagem de avião, a rede se articula para facilitar a integração dos sírios que chegam ao País por conta própria, como é o caso de Mohammed.

Na capital paulista, o grupo apoia hoje 25 sírios com moradia e, muitas vezes, emprego. Esse número é quase a metade de todos os refugiados sírios regulares no Brasil, que chega a 60, segundo o Acnur (Agência da ONU para Refugiados).

Um dos fundadores do grupo e seu principal porta-voz é Amer Masarani, sírio que mora no Brasil há 15 anos, onde se casou e tem três filhos.

Dono de uma loja de roupas no Bom Retiro, o trabalho de Masarani é conversar com os sírios já estabelecidos no Brasil, levantar recursos, organizar a vinda dos refugiados e tentar ajudá-los com passagens aéreas, documentos e vistos.

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Mohammed divide um apartamento no Brás com outros dois refugiados (Daia Oliver/R7)

A maior parte de seu trabalho é feito por uma página na rede social Facebook. Muitos brasileiros que conhecem o grupo oferecem moradia, comida, emprego ou qualquer outro tipo de ajuda.

— Tem gente que oferece 1 kg de feijão, tem gente que fala “posso dar uma geladeira”, tem gente que oferece uma cama.

Como a maioria dos refugiados não fala português, a procura por um emprego no Brasil fica muito difícil. Masarani conta que contratou um dos refugiados como motorista de sua família.

— Outra pessoa, um amigo nosso, colocamos para fazer pacotes de mercadorias [em uma loja de roupas].

Os dois últimos refugiados que o grupo conseguiu tirar da guerra desembarcaram no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, no último dia 13 de setembro.

Os dois recém-chegados — uma mulher de 49 anos e um jovem de 27 — são a ex-mulher e um dos seis filhos de Mohammed.

Nenhum dos membros da família de Mohammed — inclusive ele — permitiu que seus nomes verdadeiros fossem divulgados.

Mesmo no Brasil, o medo ainda mora com a família, que ficou ainda mais abalada porque o filho que acaba de chegar foi recentemente torturado — teve seis unhas das mãos arrancadas

Além dos três filhos que estão no Brasil e outros dois que foram para a França, Mohammed ainda tem uma filha. A jovem decidiu permanecer na Síria, onde vive com o marido e os filhos, em meio à guerra.

* Giovanna Arruda, estagiária do R7

 
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