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publicado em 15/01/2010 às 13h18:

Especialista diz que danos à infraestrutura
podem fazer Haiti retroceder em processo de paz

ONU avalia que 10% das construções de Porto Príncipe foram totalmente destruídas

Dayanne Mikevis, do R7

Um dos maiores problemas do Haiti, a infraestrutura, essencial para o desenvolvimento do país, foi seriamente afetado pelo terremoto ocorrido na última terça-feira (12). Uma primeira estimativa divulgada pela ONU nesta sexta-feira (15) em Genebra avaliou que 10% de todos os edifícios de Porto Príncipe foram totalmente destruídos, sendo que em algumas partes da cidade 40% das edificações foram comprometidas.

A pesquisadora Julia Schünemann, que analisa a política e condição humanitária do país mais pobre das Américas no centro de estudos espanhol Fride, concorda com a análise dos cinco pontos que o Ministério da Defesa do Brasil estabeleceu em seu plano de ação que os trabalhos de recuperação nesta área são fundamentais. Ela afirmou:

- Houve grandes avanços com a missão de paz no Haiti, mas as tarefas pendentes são realmente os problemas estruturais. O Haiti foi atingido por várias crises, a financeira teve um impacto muito grande, as naturais, como os furacões. É um país muito pobre e as pessoas precisam de trabalho, mas não há como fazer uma indústria do turismo, por exemplo, sem infraestrutura. É difícil alcançar uma paz duradora sem isso. Desenvolvimento e segurança são dois lados da mesma moeda.

 

 


Schünemann, que encontra dificuldades para falar com seus contatos no Haiti, ainda disse que um dos grandes trunfos do trabalho da missão de paz é construir infraestrutura.

- O Brasil faz um bom trabalho lá, em especial a figura de Luiz Carlos da Costa, que está desaparecido [o ministro Nelson Jobim cogita que o diplomata esteja morto]. E parece que grande parte desse trabalho se perdeu, pelo que vejo de fotos. 

E não apenas isto, como mostra a enviada especial da TV Record ao Haiti, Heloisa Villela, ao Haiti. Ela não conseguiu chegar ao país por avião, já que as pistas estão sendo usadas exclusivamente para a ajuda humanitária e teve de ir até a República Dominicana, que divide a ilha de Hispaniola com o Haiti, e então ir por terra para o país arrasado pelo terremoto. Villela comenta as dificuldades de deslocamento no país, veja o vídeo:

 

 



Schünemann comentou ainda que falta de infraestrutura se reflete também na dimensão que a catástrofe toma no país. Ela também pontua que, mesmo com toda a ajuda humanitária prometida para o país, não se pode assegurar uma recuperação rápida. A pesquisadora afirmou que o Haiti, por exemplo, não se recuperou dos furacões que sofreu em 2008 ainda.

- Um terremoto destas características tem um impacto muito mais grave em um país como o Haiti do que um que conta com estruturas, como um planejamento decente. As construções no Haiti são totalmente anárquicas, não há fiscalização. Há muita pressão populacional em Porto Príncipe, que recebe muita migração de zonas rurais.

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A pesquisadora que visitou o país as últimas duas vezes logo após os furacões de 2008 e em 2009, afirmou que outra questão é que o país não conta com um sistema de resposta a catástrofes. Schünemann vê ainda outros dados que intensificam o poder de catástrofes no Haiti:

- A situação de migração é cada vez mais caótica e há outros problemas. É um país que, do ponto de vista ambiental, está muito afetado, com uns 2% de vegetação nativa. Como é montanhosa, qualquer catástrofe também tem os problemas intensificados.

Dados mostram país rural e com pouco conforto

Os dados mais recentes sobe as condições de vida no Haiti são de 2003. A última Pesquisa de Condições de Vida no Haiti publicada pelo Instituto Haitiano d Estatística e Informática – o equivalente ao IBGE no Brasil – mostram 59,6% da população na região rural.

A pesquisa, que é anterior ao estabelecimento da Minustah no país, ainda mostra 31,6% das habitações do país tinham acesso à eletricidade. A maior parte das casas sem o serviço utilizavam lâmpadas de querosene.

Ainda em 2003, a fonte de água mais utilizada era a de fontes ou rios (46,8%), sendo que muitos estocavam água da chuva (39,6%).

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