Orlando Barría/EFECasa destruída em Porto Príncipe, capital do Haiti; terremoto agrava problemas básicos do país na opinião de pesquisadora de centro espanhol
8 de Fevereiro de 2012
ONU avalia que 10% das construções de Porto Príncipe foram totalmente destruídas
Um dos maiores problemas do Haiti, a infraestrutura, essencial para o desenvolvimento do país, foi seriamente afetado pelo terremoto ocorrido na última terça-feira (12). Uma primeira estimativa divulgada pela ONU nesta sexta-feira (15) em Genebra avaliou que 10% de todos os edifícios de Porto Príncipe foram totalmente destruídos, sendo que em algumas partes da cidade 40% das edificações foram comprometidas.
A pesquisadora Julia Schünemann, que analisa a política e condição humanitária do país mais pobre das Américas no centro de estudos espanhol Fride, concorda com a análise dos cinco pontos que o Ministério da Defesa do Brasil estabeleceu em seu plano de ação que os trabalhos de recuperação nesta área são fundamentais. Ela afirmou:
- Houve grandes avanços com a missão de paz no Haiti, mas as tarefas pendentes são realmente os problemas estruturais. O Haiti foi atingido por várias crises, a financeira teve um impacto muito grande, as naturais, como os furacões. É um país muito pobre e as pessoas precisam de trabalho, mas não há como fazer uma indústria do turismo, por exemplo, sem infraestrutura. É difícil alcançar uma paz duradora sem isso. Desenvolvimento e segurança são dois lados da mesma moeda.
Schünemann, que encontra dificuldades para falar com seus contatos no Haiti, ainda disse que um dos grandes trunfos do trabalho da missão de paz é construir infraestrutura.
- O Brasil faz um bom trabalho lá, em especial a figura de Luiz Carlos da Costa, que está desaparecido [o ministro Nelson Jobim cogita que o diplomata esteja morto]. E parece que grande parte desse trabalho se perdeu, pelo que vejo de fotos.
E não apenas isto, como mostra a enviada especial da TV Record ao Haiti, Heloisa Villela, ao Haiti. Ela não conseguiu chegar ao país por avião, já que as pistas estão sendo usadas exclusivamente para a ajuda humanitária e teve de ir até a República Dominicana, que divide a ilha de Hispaniola com o Haiti, e então ir por terra para o país arrasado pelo terremoto. Villela comenta as dificuldades de deslocamento no país, veja o vídeo:

A pesquisadora que visitou o país as últimas duas vezes logo após os furacões de 2008 e em 2009, afirmou que outra questão é que o país não conta com um sistema de resposta a catástrofes. Schünemann vê ainda outros dados que intensificam o poder de catástrofes no Haiti:
- A situação de migração é cada vez mais caótica e há outros problemas. É um país que, do ponto de vista ambiental, está muito afetado, com uns 2% de vegetação nativa. Como é montanhosa, qualquer catástrofe também tem os problemas intensificados.
Dados mostram país rural e com pouco conforto
Os dados mais recentes sobe as condições de vida no Haiti são de 2003. A última Pesquisa de Condições de Vida no Haiti publicada pelo Instituto Haitiano d Estatística e Informática – o equivalente ao IBGE no Brasil – mostram 59,6% da população na região rural.
A pesquisa, que é anterior ao estabelecimento da Minustah no país, ainda mostra 31,6% das habitações do país tinham acesso à eletricidade. A maior parte das casas sem o serviço utilizavam lâmpadas de querosene.
Ainda em 2003, a fonte de água mais utilizada era a de fontes ou rios (46,8%), sendo que muitos estocavam água da chuva (39,6%).
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