Um grupo de exilados cubanos ocupou nesta sexta-feira (26), pacificamente, durante uma hora o consulado do Brasil em Miami para denunciar a "cumplicidade" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no "assassinato" do prisioneiro político Orlando Zapata Tamayo.
Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, os manifestantes entraram no prédio durante o horário de atendimento ao público e permaneceram na recepção. Funcionários do consulado perguntaram se os ativistas gostariam de deixar alguma carta, mas nenhum protesto formal foi entregue. Eles também não quiseram falar com nenhuma autoridade consular.
Cerca de 15 pessoas da Assembleia da Resistência, entre ex-presos políticos cubanos e membros de organizações do exílio, que entraram nas instalações do consulado, exclamavam: "Lula, cúmplice!", "Vergonha para Lula!" e "Viva Orlando Zapata Tamayo!".
Orlando Gutiérrez, diretor do Diretório Democrático Cubano, que liderava o grupo que entrou no consulado brasileiro, disse:
- Lula é cúmplice da ditadura castrista e do assassinato de Orlando Zapata.
Gutiérrez ressaltou que o objetivo da ocupação era pôr em evidência a "vergonha que representa para o Brasil Lula aparecer abraçado aos irmãos Castro no momento em que estão assassinando um homem pelo mero fato de discordar".
O presidente brasileiro se reuniu na última quarta-feira (24) com seu colega cubano, Raúl Castro, e com seu irmão Fidel, no dia seguinte da divulgação da morte de Orlando como consequência de uma greve de fome de 85 dias.
O grupo de exilados, pertencentes a organizações como Plantados e Madres y Mujeres Antirepresión por Cuba (MAR), entregou ao cônsul brasileiro, Luiz Augusto de Araújo Castro, uma foto na qual aparece Lula se abraçando a Fidel Castro com a imagem de Zapata Tamayo impressa no meio.
No verso da fotografia se lê: "Fidel Castro, assassino; Lula, cúmplice". Essa fotografia, que pediram ao cônsul para entregar ao presidente, "deve envergonhar Lula".
A presidente da MAR, Sylvia Iriondo, disse:
- Não há melhor documento que o rosto do prisioneiro político que ia ser assassinado pelo regime castrista. O caso de Orlando é uma mostra da trajetória e história de crimes e violações perpetradas pelo castrismo.
Sylvia denunciou que ainda restam muitos presos políticos cubanos em condições críticas, ao mesmo tempo em que pediu à comunidade internacional para que não tolere a impunidade e falta de vergonha do regime de Havana.
Gutiérrez explicou que a ação realizada nesta sexta-feira (26) é o começo de uma campanha para alertar o povo brasileiro que as ações de Lula são prejudiciais para o povo cubano.