Montagem/AP e divulgaçãoSaif El Gaddafi é apontado como o sucessor do pai, o extravagante líder líbio Muammar Gaddafi (pintado por Saif, à direita), no poder há 40 anos
27 de Maio de 2012
Provável sucessor do pai, Saif El Gaddafi veio abrir mostra em SP e falou com o R7
Cercado por mais de uma dezena de seguranças, Saif abriu nesta segunda-feira (8) a mostra "Deserto Silente", que reúne 28 peças arqueológicas da Líbia e as 51 telas da "arte contemporânea" no país, na qual ele figura como principal representante.
Saif é considerado o principal responsável pela recente reviravolta política da Líbia, que há poucos anos sofria sanções econômicas por suas ligações com o terrorismo internacional nos anos 80. O país retomou as relações diplomáticas com os Estados Unidos e com o Reino Unido. E Gaddafi, o pai, voltou a ser recebido por líderes ocidentais. Por trás de tudo está Saif, segundo analistas internacionais. É ele quem deve suceder o pai no governo.
Em São Paulo, o R7 questionou o jovem líbio (sob protestos da assessoria de imprensa) sobre a questão da democracia no regime autoritário da Líbia. Ele disse que o país não tem uma "democracia de verdade".
- Um dia vamos implementar a democracia de verdade na Líbia. Como no Brasil e na Argentina, que há 30 anos tinham uma ditadura no lugar da democracia. O mundo está evoluindo para a democracia.
Saif é visto como modernizador da Líbia
Arquiteto de formação, educado na London School of Economics na Inglaterra, Saif é presidente da Gaddafi Internation Foundation for Charitable Associations, que tem a questão dos direitos humanos no discurso. Ele é visto como o "relações públicas" da Líbia.
Saif tem grande influência no governo e tem várias ligações com a elite europeia. Dono de uma mansão no norte de Londres, ele é amigo do príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth 2ª.Saif causou polêmica recentemente ao receber como heroi em Trípoli, em dezembro do ano passado, Abdelbaset Ali Al Megrahi, condenado na Escócia por explodir um avião americano que caiu na cidade de Lockerbie, matando 270 pessoas em 1978.
Doente de câncer terminal, Megrahi voltou à Líbia por questões humanitárias. O acordo saiu depois que a Líbia concordou, em 2008, em indenizar as famílias das vítimas. Saif continua a dizer que o regime de seu pai financiou o atentado e que o país só reconheceu a culpa para acabar com as sanções econômicas que prejudicavam o país.
Saif já chegou a criticar o regime do pai, mas se tornou seu principal auxiliar. Volta e meia, no entanto, o extravagante coronel Gaddafi, que governa a Líbia sem uma Constituição, volta a chamar a atenção: na última semana ele declarou "jihad" (guerra santa, na tradição muçulmana) à Suíça, que proibiu a construção de minaretes (torres) nas mesquitas (templos) muçulmanos do país. A briga com os suíços, no entanto, vem desde que o irmão problema de Saif, Hannibal Gaddafi, foi preso no país europeu após assédio moral contra os funcionários de um hotel.
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