27 de Maio de 2012
ReutersPor Stephanie Nebehay
GENEBRA, 23 Fev (Reuters) - Forças sírias mataram mulheres e crianças desarmadas, bombardearam áreas residenciais e torturaram manifestantes feridos em hospitais por ordem do "alto comando" do Exército e de autoridades do governo, afirmou a Organização das Nações Unidas na quinta-feira.
Investigadores independentes da ONU pediram para que os perpetradores dos crimes contra a humanidade enfrentassem processos e disseram que haviam esboçado uma lista confidencial de nomes de oficiais do comando e autoridades que seriam supostamente responsáveis.
"A comissão recebeu evidência de credibilidade e consistente identificando membros do alto e médio escalão das Forças Armadas que mandaram seus subordinados atirarem em manifestantes desarmados, matar soldados que se recusavam a obedecer tais ordens, prender pessoas sem motivo, maltratar pessoas detidas e atacar bairros de civis com tanques e tiros de metralhadora", disseram os investigadores em um relatório enviado para o Conselho de Direitos Humanos da ONU.
A comissão de inquérito, comandada pelo brasileiro Paulo Pinheiro, descobriu que forças rebeldes lideradas pelo Exército de Libertação Sírio também cometeram abusos, incluindo assassinatos e sequestros, "apesar de não haver comparação em proporção".
Autoridades sírias não puderam ser encontradas para comentar as últimas conclusões da comissão.
Mas uma carta de 23 de janeiro de sua missão diplomática em Genebra, anexada ao relatório, rejeitava como sendo "totalmente falsas" as alegações contidas no relatório anterior da ONU, divulgado em novembro, de que as forças sírias estavam cometendo crimes contra a humanidade. A carta síria acusa "grupos terroristas armados" por tais crimes.
As forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, bombardearam bairros da oposição muçulmana sunita na cidade de Homs pelo 20o dia na quinta-feira, disseram ativistas, apesar do horror internacional com os relatos de mais de 80 pessoas assassinadas na quarta-feira.
As forças blindadas leais a Assad entraram no bairro rebelde de Baba Amro, de Homs, na quinta-feira, disseram fontes da oposição.
A Síria está "à beira" da guerra civil e profundas divisões entre as potências mundiais complicam as chances de pôr fim a quase um ano de violência provocada por protestos contra o regime, disse a junta de três membros da ONU em seu último relatório de 72 páginas.
"A continuação da crise traz o risco de radicalizar a população, de aprofundar as tensões entre as comunas e de erodir o tecido da sociedade", advertia.
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