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27 de Maio de 2012

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publicado em 21/07/2011 às 21h21:

Gaddafi descarta diálogo com
rebeldes na Líbia até "o Dia do Juízo"

Posíção de líder líbio coloca operação do Ocidente em dúvida

Reuters


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O líder líbio Muammar Gaddafi descartou nesta quinta-feira (21) a possibilidade de negociar com os rebeldes que tentam derrubá-lo, gerando dúvidas sobre as chances de sucesso do Ocidente em mediar um fim para o conflito.

Gaddafi fez uma transmissão de rádio a milhares de simpatizantes em Sirte, sua cidade natal.

– Não haverá diálogo entre mim e eles até o Dia do Juízo. Eles precisam dialogar com o povo líbio e responder a eles.

O comício na pacata cidade litorânea atraiu homens com bonés verdes, mulheres agitando bandeiras e crianças com slogans pró-Gaddafi pintados no rosto. O evento mostrou como a Líbia pode estar distante de um fim negociado para o conflito, que já dura cinco meses.

Com a aproximação do mês islâmico do ramadã, quando os confrontos armados devem parar, nem os rebeldes nem as forças de Gaddafi parecem ter uma vantagem decisiva.

Desde março, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ajuda os rebeldes com bombardeios aéreos, mas isso não foi suficiente para permitir avanços significativos. Diante de uma campanha militar mais custosa e demorada do que o previsto, os governos ocidentais parecem agora se empenhar em uma solução negociada.

Nesta quarta-feira (20), a França disse que Gaddafi poderia permanecer na Líbia caso renuncie ao poder, que ocupa há 41 anos. Os EUA dizem que Gaddafi deve abdicar, mas que caberá ao povo líbio decidir se ele poderá ou não ficar no país. A União Africana também propôs negociações.

Mas, no pronunciamento de quinta-feira, Gaddafi pareceu confiante sobre suas chances de vitória sobre os rebeldes e sobre o Ocidente.

– Então a batalha está decidida em favor do povo. A Otan não pode de jeito nenhum derrotá-los. Eles serão derrotados e vão fugir.

O governo levou jornalistas estrangeiros de ônibus para ver o comício em Sirte, onde simpatizantes erguiam fotos gigantescas do dirigente e gritavam palavras de ordem exaltando sua lealdade. Depois, jovens dispararam armas e soltaram fogos de artifício, iluminando o céu noturno.

Muitos participantes também faziam questão de demonstrar sua revolta contra a interferência estrangeira no país.

O engenheiro petrolífero Jamal Allafi, que dá aulas na universidade local, diz que “O Ocidente está realmente piorando as coisas ao ajudar os rebeldes”.

A universitária Iman Hussein, que usava no pulso um relógio com a imagem de Gaddafi vestindo farda, diz que “chora com tudo isso”.
– Os rebeldes são nossos irmãos, mas nós temos razão. Nosso líder tem razão, e seremos vitoriosos.
Como muitos outros participantes do comício, ela disse que a riqueza petrolífera líbia é a verdadeira razão por trás do envolvimento ocidental a favor do movimento rebelde.

– É impossível dividir este país. As pessoas que desejam isso não são líbias.


 
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