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publicado em 12/02/2011 às 05h57:

Golpe militar derrubou Mubarak no Egito, diz professor

Presidente renunciou e deixou o poder nas mãos de um marechal linha-dura

Osmar Freitas Jr., do R7 em Nova York


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O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, anunciou nesta sexta-feira (11) a saída do presidente Hosni Mubarak. O comunicado não foi feito pelo principal sujeito envolvido. Hosni saiu calado, sem renunciar de modo claro.

O Egito, porém, não é terra de sutilezas. Está claro que Mubarak foi apeado do poder, como disse ao R7 o analista Ronald Jacobsky, da STW Security, de Nova York, empresa de análise de política externa nos Estados Unidos.

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- O comunicado diz claramente que Mubarak encarregou um alto conselho das Forças Armadas de governar o país. Não se sabe se o próprio vice-presidente Suleiman vai continuar no cargo. Foi dado um golpe militar.

Essa ação militar foi tão clara que, imediatamente depois, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, congratulava o modo como as Forças Armadas egípcias haviam conduzido a situação. Ato contínuo: pedia para que fosse estabelecido um processo democrático na escolha de um novo governo, em que “todas as vozes do Egito sejam ouvidas”.

Um desejo que será difícil de ser atendido. O líder do golpe é o duro marechal de campo Muhammed Hussein Tantawi. Não é homem acostumado a largar o osso que tenha entre as mandíbulas, segundo o professor Jacobsky. “Um homem duro, experiente e ambicioso”, como disse o especialistas ao R7.

- O marechal tem um bom diálogo com os Estados Unidos, é veterano no combate aos extremistas religiosos do país e sempre manteve relações pragmáticas com Israel. Isso dito, é preciso notar que foi ele quem armou a saída de Mubarak, pois era o nome mais respeitado nos quartéis.

Tantawi esteve em contato com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden - que capitaneou a força-tarefa americana nesse caso de política externa.

- Tudo isso dá um enorme cacife ao marechal, que nunca teve inclinações democráticas e gosta do poder.

Partido de Mubarak é odiado pelos egípcios

Os militares, elite que sempre apoiou Mubarak, nunca tiveram qualquer preocupação em montar um partido político real que representasse seus interesses. O partido de Mubarak, que poderia servir como face eleitoreira para os novos donos do poder, é odiado. Não se presta à eleições.

Das organizações políticas com prestígio suficiente para ser força eleitoral, apenas as religiosas têm boas chances. Afinal, foram elas que cumpriram os deveres do Estado durante os 30 anos de Mubarak e outros tantos no passado.

Com suas ações de assistência social, prestavam serviços e ajudavam na sobrevivência de uma nação de pequena elite e grandes massas de despossuídos.

A Irmandade Muçulmana, temida pelo Ocidente por ser instituição altamente teológica, é exemplo claro dessa ação. Ela sai na frente em uma corrida pelos votos. Seria difícil batê-la na eleição democrática.

Fora ela, grupos islamitas - alguns muito radicais - correm por fora e podem ganhar importantes cadeiras em um futuro parlamento, exigindo participação na formação de governo.

Briga pelo poder será furiosa

A briga pelo poder entre os grupos religiosos será furiosa e pode acabar em mortandade muito maior daquilo que se viu agora. Levaria, desse modo, a nação a um longo período de instabilidade e violência. A exemplo do que se vê ainda no Iraque.

Uma paz dúbia poderia surgir caso um grupo teocrático saísse vencedor claro nas eleições. Mas tanto Israel quanto os EUA sabem que isso não representa sossego.

O governo do ex-presidente dos EUA George W. Bush forçou as eleições livres nos territórios palestinos. O resultado foi a vitória do grupo radical Hamas. A liderança palestina rachou e até hoje a região sofre com isso.

Washington aprendeu logo que nem sempre a democracia à moda americana funciona em outros locais. Resta saber se o Egito está pronto para as urnas. A primeira resposta será dada pelos militares, o que não costuma ser um bom começo.


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