Governo do Chile não se entende sobre número de mortos em tremor
Um dia após divulgar contagem de 802 vítimas, país diz que identificou 279 corpos
Do R7, com agências internacionais
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O governo do Chile anunciou nesta quinta-feira (4) que fará uma "análise exaustiva" do número de mortos no terremoto que atingiu o país no último sábado (27).
Segundo o último balanço divulgado pelo Escritório Nacional de Emergência (Onemi), 802 pessoas morreram no tremor. No entanto, o subsecretário do Ministério do Interior, Patrício Rosende, divulgou ontem a lista oficial de corpos identificados, que chegam a 279, mas não esclareceu se a apuração total do número de vítimas está errado.
A presidente Michelle Bachelet disse que pediu a apuração dos números:
- Pedimos ao SML (Serviço Médico Legal) que faça uma análise muito exaustiva para saber definitivamente qual é o número exato de mortos.
Segundo a presidente, a discrepância pode ser atribuída ao fato de que em alguns municípios o número de mortos teria sido somado ao total de desaparecidos.
Militares e civis também não se entendem em meio à tragédia. Para os serviços de proteção civil na região de Maule, o total de mortos chegaria a 587. Para os militares, a cifra chega a 316.
Apesar da revisão para baixo no número de vítimas, uma fonte do Ministério do Interior disse à agência Reuters que centenas de cadáveres não identificados ainda estão nos necrotérios.
Governo sofre críticas
A súbita revisão na contagem de mortos foi o último episódio bizarro em torno do terremoto e dos tsunamis que desmantelaram cidades em todo o Chile.
A Marinha chilena reconheceu na última quarta-feira (3) que titubeou e não informou com clareza a presidente Michelle Bachelet sobre o perigo de tsunamis depois do terremoto de 8,8 graus na escala Ricther, um dos mais violentos da história.
Pouco depois de serem finalmente disparados, os alarmes de tsunami foram desativados sem explicação. Logo em seguida, gigantescas ondas arrasaram várias localidades costeiras.
No dia do tremor, Michelle Bachelet demorou horas para sobrevoar a região do desastre porque, aparentemente, o governo não conseguia localizar o piloto do helicóptero, que tinha o telefone celular desligado.
O governo chileno também foi muito criticado pela lentidão na divisão da ajuda humanitária. Cinco dias depois do desastre, os habitantes de povoados devastados não tinham recebido alimentos.