27 de Maio de 2012
Violência e repressão impedem as organizações de atender vítimas e entrar em algumas regiões
As organizações humanitárias enfrentam dificuldades para prestar atendimento na Líbia. Nesta quinta-feira (3), uma embarcação do Programa Mundial de Alimentos (PMA) deu meia volta devido a relatos de bombardeios aéreos na região de Bengazhi, e a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) apelou para que autoridades facilitem o acesso de seus profissionais às áreas afetadas pela violência.
Anne Châtelain, coordenadora médica de MSF em Benghazi, área fora do controle do ditador Muammar Gaddafi, conta que a equipe recebeu um pedido de ajuda de um médico da cidade de Misurata, no oeste do país, onde se estima que os confrontos tenham deixado muitos feridos.
Tal como outras áreas, Misurata está até agora inacessível a trabalhadores humanitários devido à insegurança, relata Anne.
- Este médico está pedindo medicamentos e outros materiais para tratar os feridos. Mas nós não podemos entregar o material. A estrada para Misurata foi tomada por homens armados que estão bloqueando o tráfego.
Segundo sua assessoria de imprensa, as equipes de MSF presentes na fronteira entre a Tunísia e a Líbia estão sendo impedidas de entrar no país.
Feridos não buscam ajuda por medo de represálias
Rosa Crestani, coordenadora de emergência do MSF, diz que há informação de que existem muitos feridos na capital Trípoli, porém esses não estão buscando tratamento nos hospitais por medo de represálias por parte das milícias.
- Médicos voluntários estão cuidando dos feridos em estruturas particulares. Eles estão nos pedindo medicamentos – inclusive remédios para dor – e equipamento cirúrgico para assegurar o tratamento das pessoas feridas. No momento, isso é impossível.
Em Benghazi, MSF tem uma equipe de seis pessoas, e outras 17 na fronteira da Tunísia. Os hospitais receberam um fluxo de mais de 1.800 pessoas feridas nos confrontos entre 17 e 21 de fevereiro.
A Liga Líbia dos Direitos Humanos anunciou nesta quarta-feira (2) que há ao menos 6.000 mortos desde o início da repressão contra manifestantes comandada pelo regime de Gaddafi, há 40 anos no poder.
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