27 de Maio de 2012
Israel, EUA e outros governos suspeitam que Irã esteja desenvolvendo armas nucleares

O Irã ampliou fortemente o seu polêmico programa de enriquecimento de urânio, disse a agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) em um relatório divulgado nesta sexta-feira (24).
"A agência continua tendo sérias preocupações a respeito das possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã", disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em seu relatório trimestral sobre o Irã.
A agência também relatou o fracasso da sua missão que foi nesta semana a Teerã para tentar esclarecer dúvidas sobre o programa iraniano, inclusive com acesso a uma suposta instalação para testes de explosivos.
Os Estados Unidos disseram que o relatório confirma que o Irã viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e que Teerã fracassou em convencer o mundo que seu programa nuclear é pacífico.
A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que o novo documento eleva as preocupações sobre o programa iraniano.
Israel, EUA e outros governos ocidentais suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares secretamente, algo que a República Islâmica nega, alegando que seu interesse é apenas gerar eletricidade com fins civis.
O enriquecimento de urânio pode servir para fins civis ou militares. Sua rápida expansão no Irã, a despeito das diversas sanções internacionais para pressionar o país a abandoná-lo, indica que Teerã não tem intenção de fazer concessões no seu impasse com o Ocidente.
O relatório confidencial da AIEA diz que o Irã triplicou desde o final do ano passado a sua produção de urânio refinado até um grau que deixa o país significativamente mais próximo de obter material para bombas atômicas, segundo uma fonte familiarizada com a investigação da agência.
O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, escreveu no relatório que o Irã deveria oferecer "acesso rápido" à instalação militar de Parchin, perto de Teerã, onde a agência suspeita que haja uma câmara de contenção para o teste de explosivos.
A falta de acordo sobre essa visita, durante dois dias de visita de funcionários da AIEA a Teerã na semana passada, torna ainda mais improvável a retomada de uma negociação mais ampla envolvendo o Irã e seis grandes potências - EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha -, um processo que está abandonado desde 2010.
O relatório da AIEA diz que o Irã ampliou significativamente suas atividades na sua principal usina de enriquecimento, perto de Natanz (centro), e que também intensificou suas atividades na instalação subterrânea de Fordow.
Em Natanz, segundo a AIEA, há 52 grupos de centrífugas para enriquecimento, com 170 máquinas em cada. Em novembro havia apenas 37 grupos.
Em Fordow, quase 700 centrífugas atualmente refinam urânio até uma concentração físsil de 20%, e há preparativos para elevar esse grupo de pureza.
O uso do urânio em armas nucleares exige pelo menos 90% de concentração, mas especialistas ocidentais afirmam que a etapa mais difícil dessa tecnologia é chegar aos 20%.
Os EUA e Israel não descartam uma ação militar para destruir o programa nuclear iraniano. Diante dessa ameaça, o Irã está transferindo uma boa parte da sua atividade de enriquecimento para Fordow, que supostamente funciona sob uma proteção de 80 metros de rochas e terra.
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