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publicado em 08/09/2010 às 12h53:

Irã nega que Sakineh tenha recebido 99 chibatadas

Agência oficial diz que condenada a apedrejamento está em boas condições de saúde

Lucas Bessel, do R7

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O Comitê Internacional contra o Apedrejamento (Icas, na sigla em inglês) informou ao R7 nesta quarta-feira (8) que o governo do Irã negou que Sakineh Mohammadi Ashtiani - condenada à morte por apedrejamento em um caso de adultério e homicídio - tenha sido novamente punida com 99 chibatadas.

Entenda o caso Sakineh

A informação havia sido publicada no último domingo (5) pelo jornal americano The New York Times e confirmada pelo advogado de Sakineh, Javid Kian, bem como por diferentes agências de notícias internacionais.

De acordo com o advogado, a punição foi aplicada após um jornal do Reino Unido identificar erroneamente a foto de uma mulher sem o véu islâmico como sendo de Sakineh. o The Times de Londres posteriormente voltou atrás e pediu desculpas pelo engano. Mulheres que aparecem em público sem o véu podem ser condenadas à prisão no Irã.

A agência oficial iraniana Fars noticiou que Sakineh está bem de saúde e que pode receber visitas de seus filhos, informação que também contradiz seu advogado. De acordo com a mídia estatal, a iraniana divide uma "cela limpa" com outras 20 mulheres.

Segundo o Icas, representantes do conselho de direitos humanos do Irã visitaram Sakineh na prisão no dia 1º de setembro para avaliar as condições da iraniana. As informações, no entanto, não podem ser verificadas por meios independentes porque o trabalho da imprensa estrangeira é controlado no Irã.

De acordo com a Fars, Sakineh também teria dito que seu advogado prestou um "desserviço" ao falar publicamente sobre a publicação errônea da imagem no jornal britânico.

Irã confirma suspensão temporária de pena

De acordo com o Icas, o chefe de Justiça do Irã, Sadeq Larijani, confirmou à comissão de direitos humanos que a sentença de morte por apedrejamento contra Sakineh foi temporariamente suspensa enquanto a corte analisa novamente seu caso.

A informação já havia sido divulgada no último dia 28 de agosto pelo Ministério das Relações Exteriores do país e reforçada nesta terça-feira (7) pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Ramin Mehmanparast. 

Nas últimas semanas, a Justiça do Irã adiou três vezes o pronunciamento sobre a execução de Sakineh, após intensa pressão internacional - tanto de governos quanto de entidades - contra a pena.

Em entrevista coletiva, Mehmanparast criticou a postura da comunidade internacional diante da condenação de Sakineh e disse que o caso não envolve questões de direitos humanos.

- Se soltar pessoas condenadas por assassinato é considerado uma questão de direitos humanos, então os países europeus devem libertar todos os assassinos presos em nome dos direitos humanos.

Em comunicado no dia 29 de agosto, o escritório de direitos humanos da Justiça do Irã informou que a sentença de morte contra Sakineh tinha sido concluída, mas que a execução ainda dependia de procedimentos internos.

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