12 de Fevereiro de 2012
Ministério das Relações Exteriores diz que caso de adultério está sendo revisado
A informação havia sido divulgada no dia 28 de agosto pela diplomacia iraniana, que na época informou que a Justiça ainda não tinha tomado nenhuma decisão final sobre a condenação à morte por apedrejamento de Sakineh. Meses atrás, a Embaixada do Irã em Londres também divulgou a suspensão temporária da sentença.
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, afirmou nesta terça-feira que a acusação de cumplicidade de Sakineh no assassinato do marido - pela qual a mulher foi condenada ao enforcamento - permanece "em andamento".
Nas últimas semanas, a Justiça do Irã adiou três vezes o pronunciamento sobre a execução de Sakineh, após intensa pressão internacional - tanto de governos quanto de entidades - contra a pena.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (7), Mehmanparast criticou a postura da comunidade internacional diante da condenação de Sakineh e disse que o caso não envolve questões de direitos humanos.
- Se soltar pessoas condenadas por assassinato é considerado uma questão de direitos humanos, então os países europeus devem libertar todos os assassinos presos em nome dos direitos humanos.
Em comunicado no dia 29 de agosto, o escritório de direitos humanos da Justiça do Irã informou que a sentença de morte contra Sakineh tinha sido concluída, mas que a execução ainda dependia de procedimentos internos.
Iraniana recebeu 99 chibatadas por causa de foto
Além de aguardar a morte em uma cela de prisão, Sakineh recebeu 99 chibatadas por causa de uma fotografia publicada no jornal britânico The Times em que uma mulher, que autoridades do Irã dizem ser ela, aparece com o rosto descoberto – algo proibido pelas leis islâmicas. O diário posteriormente informou que tinha se enganado e que a imagem não era da condenada.
Kian disse ao jornal The New York Times que não tem contato com Sakineh desde o dia 11 de agosto, quando, segundo, ele a iraniana foi coagida a gravar um vídeo em que admite participação na morte do marido. Mas o advogado afirmou ter sido informado por uma das duas mulheres que estão com ela na prisão de que o castigo de 99 chibatadas já foi executado.
A rede CNN entrevistou o filho de Sakineh, Sajad Ghaderzadeh, de 22 anos, que disse ter recebido informações de dentro da prisão sobre o castigo aplicado à mãe.
Após a publicação da fotografia, o diário britânico fez um pedido de desculpas e informou ainda que, na verdade, a imagem publicada pertencia a outra mulher, Susan Herjat, uma iraniana que vive no exílio na Suécia. Em entrevista ao NYT, Susan confirmou que a foto era dela.
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