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publicado em 15/10/2009 às 09h47:

Irrigação é prioridade na luta contra a fome na África

Diretor da FAO pediu mais investimentos na agricultura africana

EFE.

A prioridade na luta contra a fome na África é combater a "loteria" das secas, em um continente que tem uma baixíssima proporção de terras irrigadas, segundo declaração publicada nesta quinta (15) do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), Jacques Diouf.

- Não podemos continuar jogando a loteria agrícola: plantar sementes, financiar e rezar para que chova.

Em entrevista ao jornal "Libération", Diouf acrescentou que a água é a prioridade mais urgente para combater as crises de fome no continente.

Sobre isso, lembrou que 7% das terras cultiváveis na África são irrigadas, em comparação com cerca de 40% na Ásia. Esta proporção é de apenas 1% na região conhecida como o chifre da África (Somália, Etiópia, Djibouti e Eritreia), onde "a população depende das chuvas".

Diouf ressaltou a falta de investimento em agricultura na região, que diminuiu de 17% das ajudas públicas em 1980, para 3,8% em 2006. Na mesma linha, se queixou também de que enquanto o Banco Mundial (BM) dedicava 30% de seus fundos à agricultura em 1980, esta taxa era de apenas 6% em 2006.

O diretor-geral da FAO disse ainda que, além da questão da irrigação, também é preciso se concentrar em melhorar os meios de armazenamento dos alimentos e as cadeias de abastecimento.

- Um dos desafios mais cruciais, e o mais complicado, é a compra da produção dos agricultores a um preço vantajoso para eles.

Investimentos

Diouf explicou que é preciso encorajar os investimentos estrangeiros na agricultura dos países pobres, mas é preciso impedir "as aquisições abusivas de terras por multinacionais" na África, "mas também" na América Latina e na Europa central e oriental.

Neste sentido, citou o exemplo da companhia sul-coreana Daewoo, que assinou um acordo para explorar 1,3 milhão de hectares em Madagascar.

Segundo a FAO, a marca de um bilhão de pessoas no mundo que passam fome foi superada, frente à taxa de 830 milhões contabilizada em 1996. O diretor-geral alertou que "os riscos das crises de fome foram agravados por fenômenos climáticos extremos", nos quais a mudança climática tem um impacto "importante".

 
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