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publicado em 12/03/2011 às 18h37:

Radiação cai e Japão luta para conter desastre

Técnicos usaram água do mar e liberaram vapor radioativo para evitar aquecimento

AFPDo R7, com agências internacionais


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O governo do Japão luta para conter um acidente nuclear de grandes proporções, após as centrais nucleares de Fukushima sofrerem danos com o terremoto de 8,9 graus que atingiu o país nesta sexta-feira (11). Neste sábado, autoridades do país informaram à AIEA (agência nuclear da ONU) que os níveis de radioativade baixaram. Horas antes, técnicos vazaram material radioativo para conter a pressão em um dos reatores e usaram água do mar para evitar um aquecimento excessivo e uma explosão com consequências trágicas.

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O governo disse que os níveis de radiação estão baixando e que o risco de uma grande explosão já não é iminente. As autoridades também confirmaram que quatro funcionários ficaram feridos na explosão após o tremor.

O vazamento ocorrido na central número 1 de Fukushima foi avaliado no nível 4, numa escala que vai até 7, anunciou a Agência Japonesa de Segurança Nuclear e Industrial. A empresa responsável pela usina teve de liberar vapor radioativo para evitar o aquecimento excessivo do reator, o que poderia determinar um acidente mais grave.

A classificação 4 qualifica acidentes que não acarretam riscos muito significativos fora do local, segundo documentos da AIEA. O governo japonês também confirmou à agência a presença de césio 137 nos arredores de Fukushima - a substância é a mesma do acidente em Goiânia (GO), em 1987.

As autoridades também retiraram mais de 7.000 pessoas de um raio de 10 km da usina e estão preparando a distribuição de iodo para os moradores locais. A substância é usada na prevenção de câncer.

Acidente no Japão é o mais grave desde Chernobyll

Em 1979, o acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, ficou no nível 5 e o de Chernobyl, em 1986, no grau 7.

O acidente em Fukushima é considerado o mais grave desde a explosão da usina de Chernobyl na Ucrânia.

A nuvem radioativa pode atingir a península Kamtchatka, na Rússia, em menos de 24 horas. A informação é de uma dirigente local do serviço de vigilância sanitária, citada pela agência de notícias russa Ria-Novosti.

OMS diz que risco é baixo

A OMS (Organização Mundial de Saúde) disse neste sábado (12) que o risco para a saúde pública do vazamento de radiação no Japão parece ser "muito baixo". Mesmo assim, a entidade informou que a rede de médicos peritos estava pronta para ajudar, caso necessário.

Gregory Hartl, porta-voz da OMS, disse que a quantidade de radiação liberada é pouca.

- Neste momento parece que o risco para a saúde pública é muito baixo. Entendemos que a radiação que escapou da planta é muito pequena.

Governo foi alertado do perigo

O governo japonês foi alertado por especialistas que a construção de usinas nucleares na região noroeste do país era de alto risco, devido aos terremotos frequentes que atingem a área, segundo reportagem deste sábado (12) do jornal The Guardian.

Em 2007, o respeitado sismólogo Ishibashi Katsuhiko, da Universidade de Kobe, alertou o governo que usinas nucleares como a de Fukushima tinha “vulnerabilidade fundamental”, sofrendo grande risco de acidente nuclear, por estarem localizadas em região de tremores frequentes.

O alerta foi feito após três pequenos acidentes em reatores nucleares, entre 2005 e 2007, nas centrais de Onagawa, Shika e Kashiwazaki-Kariwa. Em todos os casos, a razão do acidente foi a mesma: as usinas não tinham estrutura para aguentar tremores de intensidade mais alta.

Em 2007, a usina de Kashiwazaki-Kariwa pegou fogo após um tremor de 6,8 graus, soltando no ambiente água contaminada com radiação.

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