27 de Maio de 2012
Técnicos usaram água do mar e liberaram vapor radioativo para evitar aquecimento
Do R7, com agências internacionaisO governo do Japão luta para conter um acidente nuclear de grandes proporções, após as centrais nucleares de Fukushima sofrerem danos com o terremoto de 8,9 graus que atingiu o país nesta sexta-feira (11). Neste sábado, autoridades do país informaram à AIEA (agência nuclear da ONU) que os níveis de radioativade baixaram. Horas antes, técnicos vazaram material radioativo para conter a pressão em um dos reatores e usaram água do mar para evitar um aquecimento excessivo e uma explosão com consequências trágicas.
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O governo disse que os níveis de radiação estão baixando e que o risco de uma grande explosão já não é iminente. As autoridades também confirmaram que quatro funcionários ficaram feridos na explosão após o tremor.
O vazamento ocorrido na central número 1 de Fukushima foi avaliado no nível 4, numa escala que vai até 7, anunciou a Agência Japonesa de Segurança Nuclear e Industrial. A empresa responsável pela usina teve de liberar vapor radioativo para evitar o aquecimento excessivo do reator, o que poderia determinar um acidente mais grave.
A classificação 4 qualifica acidentes que não acarretam riscos muito significativos fora do local, segundo documentos da AIEA. O governo japonês também confirmou à agência a presença de césio 137 nos arredores de Fukushima - a substância é a mesma do acidente em Goiânia (GO), em 1987.
As autoridades também retiraram mais de 7.000 pessoas de um raio de 10 km da usina e estão preparando a distribuição de iodo para os moradores locais. A substância é usada na prevenção de câncer.
Acidente no Japão é o mais grave desde Chernobyll
Em 1979, o acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, ficou no nível 5 e o de Chernobyl, em 1986, no grau 7.
O acidente em Fukushima é considerado o mais grave desde a explosão da usina de Chernobyl na Ucrânia.
A nuvem radioativa pode atingir a península Kamtchatka, na Rússia, em menos de 24 horas. A informação é de uma dirigente local do serviço de vigilância sanitária, citada pela agência de notícias russa Ria-Novosti.
OMS diz que risco é baixo
A OMS (Organização Mundial de Saúde) disse neste sábado (12) que o risco para a saúde pública do vazamento de radiação no Japão parece ser "muito baixo". Mesmo assim, a entidade informou que a rede de médicos peritos estava pronta para ajudar, caso necessário.
Gregory Hartl, porta-voz da OMS, disse que a quantidade de radiação liberada é pouca.
- Neste momento parece que o risco para a saúde pública é muito baixo. Entendemos que a radiação que escapou da planta é muito pequena.
Governo foi alertado do perigo
O governo japonês foi alertado por especialistas que a construção de usinas nucleares na região noroeste do país era de alto risco, devido aos terremotos frequentes que atingem a área, segundo reportagem deste sábado (12) do jornal The Guardian.
Em 2007, o respeitado sismólogo Ishibashi Katsuhiko, da Universidade de Kobe, alertou o governo que usinas nucleares como a de Fukushima tinha “vulnerabilidade fundamental”, sofrendo grande risco de acidente nuclear, por estarem localizadas em região de tremores frequentes.
O alerta foi feito após três pequenos acidentes em reatores nucleares, entre 2005 e 2007, nas centrais de Onagawa, Shika e Kashiwazaki-Kariwa. Em todos os casos, a razão do acidente foi a mesma: as usinas não tinham estrutura para aguentar tremores de intensidade mais alta.
Em 2007, a usina de Kashiwazaki-Kariwa pegou fogo após um tremor de 6,8 graus, soltando no ambiente água contaminada com radiação.

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