Felipe Barra/AFPManifestantes protestam contra a visita do presidente do Irã em Brasília; jornal americano destaca hoje "guerra suave" no país do Oriente Médio
27 de Maio de 2012
Presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, conversou contem com o presidente Lula
Espancamentos, prisões e penas severas da Justiça no Irã ganham destaque no noticiário do jornal americano The New York Times nesta terça-feira (24).
A publicação - que trouxe uma reportagem crítica à visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil, e chegou a colocar que isso pode interferir nas ambições do país em se tornar um membro pleno do Conselho de Segurança da ONU - hoje traz um artigo mostrando que, além do uso da força, as autoridades iranianas têm ações de “reeducação” de seus jovens.
Ahmadinejad segue hoje para a Bolívia e Venezuela. A pequena comunidade judaica boliviana protestou contra a visita, mas a recepção na Venezuela deve ser mais calorosa para o iraniano, já que o país é um aliado declarado do país.
Com a persistência dos protestos, apesar da dura repressão, o governo lançou uma gama de ofensivas ideológicas. Uma delas é a implantação de 6.000 centros de milícias Basij em escolas elementares por todo o Irã para promover os ideais da Revolução Islâmica.
A criação de uma nova unidade de polícia para monitorar a internet e procurar dissidentes está dentro desse novo plano de ação iraniano. Uma companhia afiliada à Guarda Revolucionária adquiriu a maior parte das ações na única empresa que realiza a o serviço de telecomunicações no país. O jornal afirma que este último passo dá, na verdade, o controle da internet à Guarda Revolucionária, a tropa de elite do Irã, e de onde vários membros do governo fizeram sua carreira, incluindo o próprio Ahmadinejad.
O conjunto de ações é chamado de “guerra suave”, inclusive pelo supremo líder do Irã, o aiatolá Ali Khaminei, que, de acordo com o relato do jornal, usa o termo desde setembro.
A justificativa para empregar esses elementos, mais uma vez, é o “ataque” de países como os Estados Unidos contra o Irã.
No Brasil, Lula defendeu o direito do Irã de realizar o um programa nuclear para fins pacíficos. É sempre esse o objetivo que os iranianos alegam ter, mas há indícios de que o país desenvolva a política para fins militares e que possa em alguns anos fabricar uma bomba atômica. A visita de Ahmadinejad provocou uma divisão, com muitas críticas e protestos contra o governo, mas também apoio da tentativa de dialogar com todos. Lula disse ontem que não se pode manter o Irã isolado.
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