27 de Maio de 2012
Discurso que anunciou libertação de Nelson Mandela é celebrado nesta terça-feira (2)

Há exatos 20 anos, o último presidente do apartheid (segregação racial) na África do Sul, Frederik de Klerk, fazia o discurso histórico no Parlamento em que anunciava a libertação dos prisioneiros políticos, entre eles Nelson Mandela.
Dave Steward, diretor da Fundação FW (Frederik Willem) de Klerk, afirmou:
- Esse discurso foi um marco na história da África do Sul. Para os sul-africanos brancos, ele marcou a vontade de acabar com séculos de humilhação e dissensões e abandonar a posição dominante que ocupavam há 300 anos.
Para marcar este aniversário, a Fundação organizou nesta terça-feira (2) na Cidade do Cabo (sudoeste) uma conferência intitulada: "20 anos após o dia 2 de fevereiro de 1990: olhar para trás, olhar para frente". Várias personalidades, entre elas o próprio De Klerk, devem discursar.
O último presidente branco da África do Sul pronunciou o famoso discurso no dia 2 de fevereiro de 1990, cinco meses depois de sua eleição, num momento em que a tensão nos guetos estava no auge, e a economia sofria as consequências das sanções internacionais.Paul Graham, diretor do Instituto para a Democracia na África Austral, afirmou:
- Foi um gesto corajoso para evitar que o país mergulhasse no caos.
Nove dias depois do discurso, Nelson Mandela, o herói da luta contra o apartheid, saiu de prisão, depois de passar 27 anos atrás das grades.
A libertação de Mandela surpreendeu muitos sul-africanos.
O ex-arcebispo da Cidade do Cabo e militante contra o regime segregacionista Desmond Tutu disse:
- Sempre tive a certeza de que Mandela seria libertado algum dia, mas não achei que estaria vivo para ver isso.
Libertar Mandela rendeu Prêmio Nobel a De Klerk
As negociações entre Mandela e De Klerk, iniciadas quando o primeiro ainda estava preso, deviam levar o país, então à beira da guerra civil, para a democracia.
De Klerk, hoje com 73 anos, afirmou:
- Nelson Mandela foi um dos primeiros a se dar conta da necessidade de uma solução pacífica e negociada. Ele trouxe uma contribuição indispensável às negociações e à promoção da reconciliação nacional de nossa nova sociedade.
Em 1993, os dois homens receberam o Prêmio Nobel da Paz. Um ano depois, Mandela foi eleito à presidência da África do Sul, tornando-se o primeiro chefe de Estado negro do país.
Dezesseis anos depois de suas primeiras eleições multirraciais, a África do Sul conquistou a democracia, mas enfrenta altos níveis de desemprego e criminalidade e uma desigualdade crescente entre ricos e pobres.
Graham afirmou:
- O duplo aniversário nos dá a chance de refletir sobre se tiramos proveito das oportunidades que nos foram oferecidas.
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