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publicado em 25/10/2009 às 06h00:

Língua solta de Mujica anima a política uruguaia

Ex-guerrilheiro e sujeito boa praça, Mujica chamou os argentinos de "tarados" e "histéricos"

Maurício Moraes, do R7

José "Pepe" Mujica foi um dos mais atuantes membros da guerrilha do Movimento Nacional Tupamaro, que lutou contra a ditadura nos anos 70. Foi preso quatro vezes, tentou fugir da cadeia duas, participou de assaltos e sequestros no combate ao regime que durou de 1973 a 1985.

Aos 74 anos, Mujica é o favorito nas eleições deste domingo [que podem ir a segundo turno]. Nos últimos tempos, não foi o comportamento radical que o fez famoso, mas a falta de auto-censura. Mujica já chamou os "hermanos" argentinos de "tarados" e "histéricos" e num dos últimos comícios terminou seu discurso dizendo: "Vão ter de me engolir".

Turrão, mas com jeito de boa praça, o senador e ex-ministro da Agricultura conquistou os uruguaios com seu jeito simples e direto - numa versão uruguaia de Luiz Inácio Lula da Silva. Aliás, Lula é a principal referência do candidato, como ele gosta de alardear, antes que seus opositores tentem compará-lo ao presidente venezuelano Hugo Chávez, também de esquerda. Mas para a cientista política Fernanda Boidi, da Universidade de Montevidéu, ele é um misto dos dois:

- Na sua linguagem direta, extremamente popular, e no seu discurso que fala na divisão entre o povo e as classes dominantes ele é claramente chavista. Por outro lado, em políticas de governo, se parece muito com Lula. 

Fernanda acha que a possibilidade de eleição de um ex-guerrilheiro mostra a maturidade da política local:

- Significa que o Uruguai é um país suficientemente maduro institucionalmente para se permitir a ter um candidato com o passado de Mujica sem que isso represente um risco de desestabilização.

Candidato escreveu em blog: "Populista é a sua avó"

O blog de Mujica revela bastante da personalidade do candidato favorito às eleições uruguaias. Chamado de populista por alguns veículos da imprensa, ele escreveu um post com o título: "Populista é a sua avó".

Ele também faz vários elogios ao presidente brasileiro:

- O Lula, sim, é grande. Até terno e gravata ele colocou. Isso sim é heroico.

Aliás, Mujica disse que foi Lula quem o aconselhou a se vestir melhor. O candidato, sempre de roupas casuais, supreendeu os uruguaios ao colocar um paletó, mas não se rendeu à gravata.

Num outro post ele fala sobre uma ideia "magnífica" que teve.

- Tenho um projeto magnífico: tirar o palácio do governo da Plaza Independencia [centro de Montevidéu] e colocá-lo num lugar mais ventilado, onde tenha um tronco de árvore para se sentar e tomar um chimarrão e um par de passarinhos por perto para avisar quando os ministros chegarem. Num lugar assim não tem como errar as decisões do governo. 

"Preciso aprender a calar a minha boca e a não ser tão babaca" 

Um dos períodos mais quentes desta campanha uruguaia foi durante o lançamento do livro "Pepe Colóquios", do jornalista local Alfredo García. Mujica falou sobre tudo, inclusive sobre os vizinhos argentinos:

- Não dá para acreditar que a Argentina é esse povo de tarados, porque têm uma intectualidade potente e pensadores importantes.

Mujica se referia ao conflito entre o setor agrícola e o governo argentino. O candidato disse ainda que os vizinhos tem reações "histéricas, loucas e paranoicas". Sobre os Kirchner, disse que são, sim, de esquerda:

- Mais que esquerda! Mamma mia! Que bando!

Sobrou até para o ex-presidente argentino Carlos Menem.

- É um mafioso e ladrão.

Depois ele se explicou, ao melhor estilo Mujica:

- Estou fazendo uns cursos intensivos estes dias: o primeiro é para aprender a calar a minha boca um pouco mais. O outro é curso intensivo é para aprender a não ser tão babaca. Parece inacreditável que nesta altura e com esta idade um jornalista cole em mim com cara de companheiro e eu fique falando 28 horas, em 14 encontros, sobre todos os temas do universo. Na segunda reunião ele já parece meio amigo e fala de um jeito como se fosse seu irmão.

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